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Doação de US$ 4,48 bilhões não passará pelas mãos do Hamas

02/03/2009 - 19:34 - Redação com EFE

EGITO - Mais de 70 países se reuniram nesta segunda-feira, na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh. Após a reunião, eles anunciaram que financiarão a economia palestina e a reconstrução de Faixa de Gaza com US$ 4,481 bilhões. Mas deixaram claro que o dinheiro não vai parar nas mãos do Hamas, o grupo que controla o território palestino desde junho de 2007.


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A conferência ocorreu nesta segunda após a trégua assinada por Israel e o Hamas, movimento palestino não reconhecido pela Comunidade Internacional.

O Exército israelense realizou uma ofensiva militar contra Gaza entre 27 de dezembro e 18 de janeiro, deixando mais de 1.400 mortos e perdas materiais avaliadas em US$ 1,9 bilhão.

A secretária de Estado americana, Hilary Clinton, resumiu a ideia de grande parte dos países no encontro, no Egito, sobre este grupo islâmico.

"O Hamas não é um país, é uma entidade que tem de entender quais são os princípios de qualquer compromisso, não só para os Estados Unidos, mas também para o Quarteto para o Oriente Médio, formado também por União Europeia (UE), ONU e Rússia, assim como para a Liga Árabe", afirmou.

AP

Hillary coletiva de imprensa após conferência Sharm el-Sheik, no Egito


"Há certos princípios que o Hamas tem de adotar para que qualquer um de nós se comprometa com ele: reconhecer Israel, renunciar à violência e aceitar os acordos assinados anteriormente pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP)", disse.

Todos os países mostraram esperança e otimismo desde que o Hamas acertou, na quinta-feira passada, um governo de união nacional com seu principal rival, o movimento nacionalista Fatah.

O líder do Fatah, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), recebeu todo o apoio da Comunidade Internacional em detrimento do grupo islamita.

"Pude perceber que há uma vontade (do Hamas) de trabalhar pela reconciliação palestina", comentou o ministro de Exteriores espanhol, Miguel Ángel Moratinos, em suas conclusões após várias reuniões com dirigentes árabes.

Os reunidos também acertaram que não serão criadas novas ferramentas para a distribuição das ajudas e, o primeiro-ministro palestino da ANP, Salam Fayyad, que só exerce seu governo sobre a Cisjordânia, anunciou um acordo com 10 bancos da Faixa de Gaza a fim de outorgar créditos para a reconstrução.
Condições

No comunicado final aprovado após a conferência e lido pelo ministro de Exteriores egípcio, Ahmad Aboul Gheit, a Comunidade Internacional defende o diálogo entre os palestinos e pede a Israel a reabertura das fronteiras de Gaza, que estão bloqueadas desde que o Hamas assumiu o controle do território em junho de 2007.

Alguns países, como a Noruega, foram mais longe e asseguraram que Israel deve encarar sua responsabilidade pela destruição da Faixa de Gaza e garantir que não voltará a destruir a infraestrutura recuperada com a ajuda internacional.

AP

Mais de 70 países participaram da conferência para a reconstrução de Gaza


No entanto, Hillary, que afirmou que a criação de um Estado palestino junto ao israelense não está apenas em seu coração, mas em sua agenda, questionou como Israel deve responder ao lançamento de foguetes por parte do Hamas.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, se expressou com clareza sobre este assunto, e assegurou que "hoje, assim como ontem, não há uma solução militar para Gaza".
Não foram elaboradas iniciativas políticas no encontro, mas a Comunidade Internacional voltou a pedir a realização de uma conferência de paz. Além disso, os países reunidos destacaram a solidariedade mundial com o povo palestino.

Agora, todos apostam suas fichas em uma reconciliação entre Hamas e Fatah para poder criar um governo de união nacional sob o comando de Mahmoud Abbas, o que poderia servir como primeiro passo rumo a uma paz mundial.

A bola agora parece estar com o Hamas. Todos os planos anunciados na reunião desta segunda-feira dependem da cooperação do movimento palestino e da aceitação das exigências apresentadas por Hillary.

No entanto, o Hamas insiste em que não reconhecerá Israel e não pretende abandonar a luta armada pela libertação de todos os territórios palestinos.

O diálogo interpalestino que está previsto para começar no Cairo, no dia 10 de março, servirá para mostrar o que ficará pendente após esta reunião.
 
 
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