02/03/2009 - 13:39 - Redação com agências internacionais
SHARM EL-SHEIKH - A comunidade internacional prometeu nesta segunda-feira, durante conferência realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito, uma ajuda de US$ 4,481 bilhões para a reconstrução da Faixa de Gaza, anunciou o chefe da diplomacia egípcia, Ahmed Aboul Gheit.

A expectativa da Autoridade Palestina era arrecadar US$ 3 bilhões, valor estimado pela ONU e pela AP para a recuperação da infraestrutura de Gaza, devastada depois da ofensiva israelense contra o Hamas, que aconteceu entre 27 de dezembro e 18 de janeiro.
A ajuda financeira será entregue em um período de dois anos, anunciou Gheit, que estava acompanhado na entrevista coletiva pelo primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, e o ministro de Assuntos Exteriores norueguês, Jonas Gahr Store.
O comunicado final, aprovado após a conferência e lido por Aboul Gheit, também pede a reabertura das fronteiras de Gaza, que estão bloqueadas desde que o Hamas tomou o controle do território, em junho de 2007.
Os participantes também pediram aos diferentes grupos palestinos que superem suas divergências, e expressaram a necessidade de um cessar-fogo prolongado em Gaza.
Contribuição brasileira
O Brasil está entre os países que prometeram ajuda aos palestinos. Segundo o Itamaraty, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, presente ao encontro, anunciou uma colaboração US$ 10 milhões.
A contribuição ainda depende de aprovação do Congresso Nacional, como exige a legislação brasileira. Em entrevista concedida à Rádio França Internacional, o ministro disse que há notícias positivas sobre um começo de entendimento entre as facções palestinas, o que é essencial para a paz na região e para a construção de uma solução com Israel.
“Continuamos apoiando uma solução entre os dois Estados. Esperamos que o governo de Israel mantenha e fortaleça a sua ação no processo de paz”, destacou o chanceler.
O embaixador brasileiro em Israel, Pedro Motta, afirmou que o valor é alto, considerando que o Brasil é "pobre e em desenvolvimento".
"O Brasil nunca foi um país doador, e esse caso representa uma mudança na nossa atitude, pois queremos contribuir para o alívio da situação humanitária e para a reconstrução da Faixa de Gaza."
Reformas
A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, prometeu US$ 300 milhões para a reconstrução de Gaza e US$ 600 milhões para cobrir déficits orçamentários da Autoridade Palestina, promover reformas econômicas, melhorar a segurança e apoiar projetos da iniciativa privada que sejam administrados pela Autoridade Palestina.
| Reuters |
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| Hillary Clinton ouve discurso do presidente egípcio, Hosni Mubarak |
Ela foi enfática no sentido de que a verba, a ser aprovada pelo Congresso dos EUA, não pode ir para o Hamas.
"Temos trabalhado com a Autoridade Palestina para instalar salvaguardas que irão garantir que nossa verba só seja usada onde e para quem se destina, e não termine em mãos erradas", disse ela.
A Comissão Europeia (Poder Executivo da União Europeia) anunciou na semana passada a intenção de doar 436 milhões de euros (552,6 milhões de dólares), também destinados à reconstrução de Gaza e a reformas na Autoridade Palestina.
Ainda não está claro se Israel abrirá as fronteiras para a passagem de enormes quantidades de material necessário para a reconstrução, como cimento e aço. Israel rejeita a entrada de materiais que supostamente poderiam ser usados na produção de foguetes dos militantes.
"O dinheiro é importantíssimo, mas não irá resolver o problema se não houver pressão da comunidade internacional sobre Israel para abrir todos os acessos a Gaza", disse Gasser Abdel-Razek, porta-voz da ONG Oxfam International.
(Com informações da Reuters, da BBC, da AFP e da Agência Brasil)
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