12/02 - 10:08 - Redação com agências
GENEBRA - A advogada brasileira Paula Oliveira, grávida de três meses de gêmeas, foi atacada e torturada por três supostos neonazistas na noite de segunda-feira na cidade suíça de Dubendorf, na periferia de Zurique. Os agressores inscreveram, com um estilete, a sigla "SVP" - iniciais em alemão do "Partido do Povo Suíço", de extrema direita - na barriga e nas pernas da brasileira. O ataque fez com que Paula, noiva de um suíço, abortasse.

Agressores
marcaram brasileira com sigla de partido de extrema direita / AE
O caso ganhou contornos políticos depois que a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitória Clever, constatou que a polícia suíça sequer abriu investigação para identificar os agressores.
"Trata-se claramente de um ataque xenófobo", afirmou Vitória, que nesta quinta-feira vai até o escritório central da polícia exigir esclarecimentos. "Se for necessário, levaremos o caso às mais altas instâncias", acrescentou, indicando que o Itamaraty pode pedir também explicações à Embaixada da Suíça em Brasília.
Nos últimos meses, ataques xenófobos têm ganhado força na Europa diante de um discurso cada vez mais racista dos partidos de extrema direita.
Na Suíça, a crise financeira internacional e o aumento do desemprego deram popularidade aos partidos políticos que defendem medidas contra a imigração. Casos de ataques contra estrangeiros aumentaram, mas, até agora, os brasileiros não eram os alvos preferidos - as principais vítimas são imigrantes turcos, ex-iugoslavos e africanos.
Paula, uma pernambucana de 26 anos, trabalha na multinacional Maersk e, segundo o Itamaraty, vive legalmente na Suíça. Ela foi atacada quando voltava do trabalho, após desembarcar na estação de trem perto de sua casa. Paula falava ao telefone celular com a mãe, que estava no Recife, quando foi cercada pelos três rapazes de cabeça raspada.
Levada para um parque, foi espancada por 15 minutos e teve sua roupa parcialmente arrancada. Um deles usou um estilete para cortar barriga, braços, rosto, tórax e pernas. "Ela ficou marcada em várias partes do corpo", disse a cônsul. Paula disse que um dos agressores tinha uma suástica tatuada no corpo.

Paula
ficou com o corpo marcado após agressão / AE
A diplomacia brasileira criticou o comportamento da polícia após a agressão. Isso porque, ao prestar queixa, Paula foi interrogada pelo detetive Andreas Hug - ele duvidou de sua versão, querendo saber se ela não teria se autoflagelado.
A cônsul também passou por uma situação constrangedora ao telefonar para a polícia. A delegacia local apenas a informou que, se quisesse saber detalhes da agressão, que perguntasse à vítima. Por enquanto, familiares disseram que ela permanecerá no hospital local. Em breve, ela deve voltar para o Recife.
| AE |
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| Paula Oliveira estava grávida de 3 meses |
Segundo o pai da brasileira, Paulo Oliveira, o ataque aconteceu quando havia poucas pessoas na rua. "Ela levou mais de cem estiletadas, no braço, na perna, no peito, no ventre, onde você possa imaginar", afirmou Oliveira, dizendo que a filha ficou em estado de choque. "Em determinado momento, ela se refugiou no banheiro do metrô e ligou para o companheiro, que chamou a ambulância e a polícia".
Oliveira, que já está em Zurique, disse que a filha está melhor fisicamente, mas "emocionalmente péssima". "Ela está tratando as sequelas do aborto e voltou ao hospital para tomar coquetel antiviral, já que não se sabe se o instrumento que a cortou estava contaminado de alguma forma", contou.
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* Com Agência Estado
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