09/02 - 17:40 , atualizada às 19:35 09/02 - Redação com agências internacionais
ROMA - Morreu nesta segunda-feira a italiana Eluana Englaro, que há 17 anos vivia em estado vegetativo. A notícia foi divulgada por autoridades locais e pela administração da clínica La Quiete, onde ela estava internada, na cidade de Udine, norte da Itália.
A paciente morreu depois que o sistema de alimentação que a mantinha viva foi interrompido, na sexta-feira. Após anos de disputa, o pai da italiana, Beppino Englaro, conseguiu autorização da Justiça para interromper a alimentação que a mantinha viva.
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| Eluana Englaro, 38 anos |
Contrário à morte da paciente, o governo italiano tentava aprovar em caráter de urgência um projeto de lei que revertesse a decisão judicial.
Líder deste movimento, o primeiro-ministro da Itália, Sílvio Berlusconi, disse ter recebido "com muita dor" a notícia da morte de Eluana. "É muito triste que tenha sido impossível uma ação do governo para salvar uma vida", afirmou.
O projeto de lei, encaminhado por ele ao Senado em caráter de urgência, seria votado na terça-feira pela casa e seguiria para a Câmara dos Deputados.
Quando souberam da morte de Eluana, os senadores, reunidos para discutir o caso, fizeram um minuto de silêncio.
O presidente da casa, Renato Schifani, disse que "este é um momento de reflexão no qual todos, a começar pelos políticos, devem pensar sobre o direito à vida e à morte".
Já o vice-líder da ala conservadora do Senado, Caetano Quagriello, tomou o microfone e disse que "Eluana não morreu, mas foi assassinada". Em resposta, a senadora Ana Finnochiaro, do Partido Democrata, acusou os conservadores de estarem "fazendo o enésimo ato de carniça política sobre a morte de Eluana".
No Vaticano, o ministro da Saúde, cardeal Javier Lozano Barragán, pediu que "o Senhor acolha (Eluana) em seu seio e perdoe aqueles que a levaram deste mundo". O ministro da Saúde italiano, Maurizo Sacconi, pediu ao Senado que aprove o projeto de lei "para que o sacrifício de Eluana não seja em vão".
Alimentação suspensa
Eluana Englaro estava em coma vegetativo desde 1992, quando sofreu um acidente de carro. O pai obteve o direito de interromper a alimentação e a hidratação da filha com uma decisão definitiva da Justiça italiana, divulgada em 13 de novembro de 2008.
Apesar dessa decisão, em dezembro o ministro da Saúde da Itália enviou uma advertência às clínicas que acolhessem Eluana para desligar os aparelhos, ameaçando-os de consequências "inimagináveis". Várias regiões que haviam aceitado acolhê-la mudaram de ideia.
Em janeiro, a clínica de Udine anunciou que estava pronta para receber Eluana, apesar das pressões da Igreja, do Vaticano, do governo de centro-direita de Silvio Berlusconi e de políticos regionais.
O ministro da Saúde do Vaticano reagiu à transferência lançando um apelo para impedir este "abominável assassinato". O Papa Bento 16 apoiou a posição da Igreja italiana e afirmou que "a eutanásia é uma falsa solução para o drama do sofrimento" e um ato "indigno do homem".
O pai da italiana disse ao jornal chileno "La Nación" que "não fizemos nada além de dar voz a Eluana", ao explicar sua decisão de deixar a filha morrer. Ele começou a batalha judicial para desligar os aparelhos em 1997.
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