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"Demos voz a Eluana", diz pai da italiana em entrevista a jornal

08/02 - 11:01 - EFE

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Giuseppe Englaro, pai da italiana de 38 anos que está em estado vegetativo desde 1992, disse ao jornal chileno "La Nación" que "não fizemos nada além de dar voz a Eluana", ao explicar sua decisão de deixar a filha morrer. Giuseppe questiona a Igreja Católica e as ideologias que tentaram impor em uma história que ele viveu com mais dor que qualquer outro.

Embora o debate do caso tenha começado em 1997, quando o pai de Eluana iniciou a batalha judicial para desligá-la, a polêmica veio á tona depois que, após 12 anos, a Justiça permitiu que a família iniciasse o procedimento para retirar a alimentação e a hidratação da italiana.

AP
Eluana Englaro, 38 anos
Eluana Englaro, 38 anos
Em sua casa, em Udine, na Itália, o pai de Eluana acompanha o debate com raiva e angústia. Ele lembra que, algumas semanas antes de sofrer o acidente, a filha - chocada com uma história semelhante de um amigo que ficou em coma profundo - disse o que deviam fazer com ela se acontecesse algo parecido: "não comigo, lembrem".

"Ficava horrorizada com estes casos, ao ponto de dizer que ela não aceitaria isso (fica em coma) jamais", disse Giuseppe Englaro.

Ao ser perguntado sobre o que significa ver um ente querido nessas condições durante 17 anos, respondeu com outra pergunta: "o que significa ter uma pessoa querida nestas condições durante 17 anos depois que ela disse tantas vezes que não queria permanecer nesse estado?".

Giuseppe Englaro insistiu em que a decisão que tomou foi determinada pela filha, que tinha pedido a ele a à mãe para ser protegida caso ocorresse algo parecido, o que depois realmente aconteceu.

"Sabia o que poderia acontecer após um acidente de trânsito: tinha visto alguns amigos que tinham sido submetidos a protocolos de reanimação de emergência para sobreviver em condições de total privação, ligados a máquinas sem as quais não poderiam sobreviver", acrescentou.

Afirmou que a filha ficava horrorizava com este tipo de sobrevivência e que disse mais de uma vez aos pais, parentes e amigos "que preferia morrer a continuar vivendo nessas condições".

Giuseppe Englaro lembrou que, quando Eluana entrou em coma, pareceu a coisa mais natural do mundo intervir e pedir aos médicos que a deixassem ir desde o início, "desde que, cinco dias depois do acidente, quiseram fazer uma traqueostomia para ligá-la ao respirador".

"Pedimos sempre apenas o respeito à vontade de Eluana e sua maneira de ser. Não fizemos nada além de dar-lhe voz", reiterou.

Sobre a Igreja Católica Romana, disse que a instituição não deveria buscar impor suas crenças e seus valores que derivam da fé a toda a comunidade, que é formada por fiéis de diferentes religiões e por ateus.

Diante da possibilidade de uma legislação entrar em vigor por causa dessa situação, Giuseppe Englaro antecipa que Eluana certamente gerou um problema com o qual a futura lei sobre o testamento biológico deverá se confrontar.

"Nós esperamos que se deixe ao indivíduo, que ficou incapaz, a possibilidade de rejeitar ou suspender qualquer tratamento, direito já garantido à pessoa capaz de entender e de querer. Caso contrário, configura-se uma forma inconstitucional de discriminação entre pacientes capazes e pacientes incapazes", sentenciou.

Leia mais sobre: Eluana Englaro e eutanásia





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