2009 Foi o ano mais sangrento para civis afegãos desde queda dos talibãs

Naweed Haidary Cabul, 13 jan (EFE).- O ano 2009 foi o mais sangrento para a população civil do Afeganistão desde a queda do regime talibã, com 2.

EFE |

412 mortos segundo dados divulgados hoje pela ONU, que alertou que o conflito se intensificou e se alastrou para regiões antes relativamente seguras.

A missão da ONU no Afeganistão (Unama) divulgou um relatório no qual cifra em 2.412 os civis mortos no conflito no ano passado, o que define um aumento de 14% em relação a 2008, e responsabilizou os insurgentes pela maioria das mortes.

"2009 foi o pior ano nos últimos tempos para os civis afetados pelo conflito armado. A Unama-HR (Direitos Humanos) registrou o maior número de vítimas civis desde a queda do regime talibã" em 2001, afirmou a organização no relatório.

Segundo o relatório, um total de 5.978 pessoas morreram ou ficaram feridas em 2009.

O documento afirma que 67% das mortes (1.630) foram provocadas por "elementos antigovernamentais", enquanto as forças afegãs e internacionais causaram 596 mortes (25%). Outras 186 mortes não tiveram autoria atribuída.

As mortes causadas pelos insurgentes aumentaram 40% em relação a 2008. Neste grupo, a maioria dos mortos (1.057) morreu em ataques suicidas ou com explosivos e outros 225 foram vítimas de assassinatos seletivos e execuções.

No entanto, segundo a Unama, as mortes de civis atribuídas ao Exército afegão e às tropas estrangeiras caíram 28% em comparação a 2008, graças às medidas tomadas para realizar operações de forma que "reduzam os riscos para os civis".

"As forças militares internacionais - observou a Unama - deram passos estratégicos e específicos para minimizar as baixas civis em 2009. A mudança no comando da Isaf, a definição de estruturas de comando mais claras e a formação de uma nova direção tática ajudaram nos esforços" para reduzir as baixas civis.

Da mesma forma que em 2008, a maioria das mortes neste grupo (60%) foi causada por ataques aéreos, segundo a organização, que criticou essa tática de combate e também a localização de bases militares próximas de áreas ocupadas pela população civil.

"A localização e a proximidade dessas bases aos civis têm o risco de aumentar os perigos enfrentados pelos civis, porque essas instalações são frequentemente alvo de ataques da oposição armada", detalhou a Unama.

A organização destacou que muitos afegãos afetados pelo conflito tiveram propriedades e bens danificados, perderam o meio de sustento ou se viram obrigados a migrar em função do nível de segurança, que piorou este ano.

O sul do Afeganistão foi palco de 45% das baixas civis, na frente das regiões sudeste (15%), leste (10%), centro (10%) e oeste (8%), núcleos tradicionais dos insurgentes.

A Unama, no entanto, alertou que o conflito se intensificou e se alastrou para áreas que antes eram consideradas "relativamente seguras", como a província setentrional de Kunduz, palco de um sangrento bombardeio da Isaf em setembro passado.

Os talibãs mantêm uma presença "intensa" em 80% do território afegão, segundo dados do instituto ICOS, e o uso que esse grupo faz de "táticas assimétricas" é para a Unama uma causa significativa do aumento de baixas civis.

Fruto do aumento das ações talibãs, 2009 foi também o ano mais sangrento para as tropas internacionais que atuam no país, com 520 mortes, frente às 295 de 2008, segundo dados do site "icasualties.org".

Atuavam no Afeganistão 100 mil soldados estrangeiros no final de 2009, mas a piora da segurança levou os Estados Unidos e seus aliados da Otan a anunciarem em dezembro o envio de 37 mil militares de reforço.

Como já fez em 2008, a Unama pediu às partes em conflito que respeitem as obrigações das leis humanitárias internacionais e de direitos humanos para minimizar o impacto do conflito sobre a população civil. EFE nh-daa/sa

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