2009 foi o ano mais mortífero da guerra para civis afegãos--ONU

Por Emma Graham-Harrison CABUL (Reuters) - Mais de 2.400 civis morreram no Afeganistão em 2009, o ano mais letal para não combatentes desde a derrubada do Taliban, em 2001, mas as mortes causadas por tropas estrangeiras e do governo diminuíram, disse a ONU nesta quarta-feira.

Reuters |

As baixas civis, uma das questões mais perturbadoras do conflito, que já dura oito anos, subiram 14 por cento ao todo, disse em comunicado a divisão de Direitos Humanos da missão da ONU no Afeganistão.

Segundo o relatório, dois terços das mortes de civis foram provocadas por insurgentes e apenas um quarto por tropas governamentais ou estrangeiras. O restante, quase 8 por cento, não pôde ser atribuído a nenhum dos lados.

Os esforços ocidentais para reduzir o custo humano de sua presença no Afeganistão parecem ter dado alguns frutos, tanto que as baixas caíram um quarto em relação a 2008, mas, mesmo assim, quase 600 pessoas foram mortas por forças estrangeiras e do governo.

Reduzir o número de civis mortos por suas tropas vem sendo um dos objetivos centrais do general Stanley McChrystal, comandante das forças da Otan e EUA, que assumiu na metade de 2009, prometendo uma nova estratégia para proteger os afegãos.

McChrystal impôs novas restrições ao uso da força, especialmente ataques aéreos, em áreas de risco para civis, argumentando que as mortes de civis beneficiam a causa dos insurgentes, ao suscitar revolta na população.

Cerca de 60 por cento dos civis mortos por forças ocidentais morreram em ataques aéreos, segundo o relatório da ONU, que condenou o posicionamento de bases militares perto de locais com alta densidade demográfica de civis, além das operações violentas de "revista e detenção" realizadas por tropas estrangeiras e pró-governo.

O número de pessoas mortas por grupos insurgentes armados subiu mais de 40 por cento, com as vítimas morrendo em ataques suicidas, bombas em estradas e trocas de tiros, além de execuções de pessoas vistas como partidárias e informantes do governo.

O ano passado foi também de longe o mais mortífero da guerra para as tropas estrangeiras, especialmente as americanas e britânicas, que perderam mais de duas vezes mais soldados que no ano anterior.

O relatório disse também que a violência vem se espalhando para áreas antes estáveis, como o nordeste do Afeganistão, embora quase metade das mortes ainda tenha ocorrido na explosiva região sul do país.

O relatório destacou a insegurança crescente enfrentada pelos afegãos em sua vieda diária, segundo um grupo de ativistas afegãos e funcionários de um grupo de ONGs afegãs que lutam para reduzir as mortes de inocentes.

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