27/12/2008 - 20:34 , atualizada às 04:19 28/12 - Redação com agências internacionais
O Brasil e diversos países e organizações se pronunciaram sobre os ataques israelenses à Faixa de Gaza e os ataques do grupo palestino Hamas, que deixaram mais de 200 mortos neste sábado.
O Governo brasileiro criticou a “reação desproporcional” de Israel no bombardeio à Gaza e os ataques do Hamas e pediu às partes para cessarem as hostilidades e iniciarem um diálogo.
Em comunicado, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores, o Governo afirmou que “acompanhou com apreensão a intensificação do lançamento de foguetes por milicianos do Hamas contra o sul de Israel e recebeu com grande preocupação a notícia do ataque aéreo israelense à faixa de Gaza”. A nota também lamenta que a violência na região afete principalmente a população civil e prejudique os esforços por uma solução pacífica para o conflito israelense-palestino.
AP Photo/Hatem Omar

Região destruída na Faixa de Gaza, onde mais de 200 morreram e 700 ficaram feridos
EUA
A Casa Branca, aliada de Israel, afirmou que quer o fim da violência no Oriente Médio e reiterou que cabe ao Hamas pôr fim aos ataques israelenses, ao conter seus próprios lançamentos de foguetes de Israel. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que o Governo “condena os repetidos ataques com mísseis e morteiros contra Israel”, e afirmou que o Hamas é “responsável pela ruptura do cessar-fogo” em Gaza.
França e UE
Em férias na Bahia, o presidente da França e da União Européia (UE), Nicolas Sarkozy, divulgou um comunicado pedindo a “interrupção imediata dos lançamentos de foguetes contra Israel e dos bombardeios israelenses sobre Gaza” e condenou as provocações irresponsáveis que conduziram a essa situação, assim como o “uso desproporcional da força”. “Não há uma solução militar em Gaza”, escreveu Sarkozy no comunicado, pedindo uma “trégua duradoura” na região.
A União Européia fez um apelo neste sábado por um cessar-fogo imediato em Gaza.
Turquia
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, criticou o ataque lançado pelo Exército israelense na Faixa de Gaza ao qualificá-lo como uma falta de respeito aos esforços turcos pela paz.
Erdogan explicou aos jornalistas que o ataque foi um duro “golpe à paz” na região, um objetivo no qual a Turquia estava trabalhando intensamente. A Turquia é o aliado mais importante de Israel na região e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, esteve na segunda-feira passada no país, onde se reuniu com autoridades turcas.
Em declaração escrita, o governo turco pediu para Israel cessar imediatamente a operação militar e ressaltou que é de vital importância transferir ajuda a Gaza para evitar uma tragédia humanitária.
Reino Unido
O Governo britânico pediu a Israel a “máxima contenção” para evitar vítimas civis na Faixa de Gaza, e solicitou aos grupos palestinos que não ataquem o território israelense. “A única maneira de conseguir uma paz duradoura em Gaza é através de meios pacíficos”, afirmou um porta-voz do Ministério de Exteriores britânico.
Itália
Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, também pediu o fim da violência e defendeu o diálogo como a única via possível para encontrar uma solução duradoura ao conflito na região. Berlusconi afirmou em nota que “só através do diálogo, e não com as provocações nem com o recurso às armas, será possível encontrar uma solução estável e duradoura para o conflito” na região.
Alemanha
Na Alemanha, o ministro de Assuntos Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, criticou o fim unilateral da trégua com Israel por parte do Hamas, ao mesmo tempo em que pediu à parte israelense que ofereça “uma resposta proporcional” e evite as vítimas civis.
Steinmeier advertiu que a Faixa de Gaza ameaça se afundar em uma nova “espiral de violência”.
Egito
Em comunicado presidencial, o Egito criticou o ataque e atribuiu a Israel, “como força de ocupação”, a responsabilidade pelos mortos e feridos na agressão. O Governo egípcio assegurou que seguirá fazendo seu trabalho de mediação entre os palestinos e os israelenses para “criar um ambiente propício para renovar a trégua e conseguir uma reconciliação interpalestina”.
AP

Pessoas protestam na Síria contra ataque de Israel
Síria
Já a Síria qualificou de “ato terrorista” e de “guerra de extermínio” a ofensiva israelense. Em comunicado, o presidente da Síria, Buthaina Shaaban, disse que a o país condena categoricamente o ato de terrorismo e a guerra de extermínio lançada pelas forças da ocupação israelense contra a Faixa de Gaza”.
A ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, “está bebendo agora o sangue do povo palestino para se transformar em primeira-ministra através desta ação terrorista e deste grande massacre contra gente indefesa”, destacou Shaaban.
EFE/Wael Hamzeh

Mulher chora em protesto no Líbano
Líbano
O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, destacou que Israel somou hoje “outro massacre à lista de massacres” contra os árabes. “Em meu nome e em nome de meu Governo, condeno esta agressão criminosa.” Além disso, pediu à ONU e ao secretário-geral Ban Ki-moon que impeçam Israel de seguir “cometendo massacres e destruições no mundo árabe”.
Iêmen e Emirados
Segundo a imprensa local, o presidente iemenita, Ali Abdala Saleh, qualificou de “barbárie” o ataque contra os palestinos, enquanto os Emirados Árabes Unidos apoiaram a realização de uma reunião de urgência na Liga Árabe.
Reuters/Ali Jarekji

Jordanianos protestam contra ataques de Israel à Gaza
Jordânia
Um comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores jordaniano pediu que o ataque seja detido imediatamente, e ressaltou que o chanceler Salah Bashir já iniciou contatos para preparar um encontro na Liga Árabe.
Iraque
O governo iraquiano também condenou os ataques aéreos israelenses sobre a Faixa de Gaza, neste sábado, pedindo à comunidade internacional que “assuma suas responsabilidades”. Em nota o governo pede à comunidade internacional que tome as medidas necessárias para pôr fim a esses ataques”.
Marrocos
O Governo do Marrocos condenou a operação militar israelense “denunciando com firmeza o uso desproporcional da força e esta trágica escalada da violência”. O Governo pede o “fim imediato das hostilidades, que, além das grandes perdas de vidas humanas, expõem, mais uma vez, a região à violência e às divisões”.
Cuba
O Governo cubano qualificou de "genocida" e "criminosa" a ação militar aérea desenvolvida pelo Exército israelense. O Governo cubano manifestou através de um comunicado divulgado por fontes oficiais seu "profunda indignação com a notícia sobre o ataque aéreo em massa perpetrado por Israel em Gaza".
"Esta criminosa operação militar, a mais sangrenta executada por Israel contra o povo palestino, ocorre no meio do ilegal bloqueio imposto pelo Governo israelense nos últimos 18 meses contra a Faixa de Gaza, dirigido a aniquilar e render pela fome e pela doença a população palestina", acrescenta.
Japão
O Japão considerou "extremamente lamentável" o ataque de Israel na Faixa de Gaza, segundo disse o ministro porta-voz do Governo japonês, Takeo Kawamura.
"É extremamente lamentável que tenha acontecido um conflito armado tão rapidamente justamente depois de terminado o cessar-fogo", disse Kawamura em entrevista coletiva em Yamaguchi (oeste do Japão), citado pela agência local de notícias "Kyodo".