16/12/2008 - 14:27 - Redação com agências internacionais
COSTA DO SAUÍPE - Integração e desenvolvimento são os eixos da 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe, realizada na terça e quarta-feira na Costa do Sauípe, na Bahia.
O encontro é resultado de uma iniciativa que busca coordenar os múltiplos mecanismos políticos e econômicos da região para que haja uma única voz, principalmente em tempos de crise.
Segundo o Brasil, organizador da cúpula, a intenção é aumentar o conhecimento mútuo entre as iniciativas existentes e tentar estabelecer uma forma de coordená-las para que tenham alcance em toda a região.
A Argentina reafirmará no encontro sua vocação de impulsionar a integração regional e tratará de estabelecer compromissos efetivos para conseguir esse objetivo, informou a Chancelaria do país.
Na mesma linha se situa o Chile, cuja presidente, Michelle Bachelet, comentou, ao fazer referência à cúpula, que a América Latina precisa realizar "um esforço especial combinado" se quiser ser ouvida no processo de reforma econômica que teve início no mundo por causa da crise atual.
O Uruguai também aposta no reforço dos mecanismos de cooperação regionais. Tanto que seu presidente, Tabaré Vázquez, compareceu ao evento, apesar de não ser freqüente vê-lo nesse tipo de encontro.
Conflito entre países
Mesmo com "integração" e "cooperação" sendo palavras recorrentes nos discursos dos governantes da região, ambas tornam-se difícil na prática, devido às acentuadas diferenças não só entre os blocos regionais, como também no interior dos mesmos.
A CAN, criada em 1969 e formada por Peru, Colômbia, Equador e Bolívia, está em situação difícil por divergências entre seus Estados-membros, sobretudo desde que Lima e Bogotá decidiram dar início a negociações para um acordo comercial com a União Européia (UE) sem esperar por Equador e Bolívia.
Outro conflito no interior de blocos envolve Uruguai e Argentina, que, junto com Brasil e Paraguai, compõem também a Unasul.
O Uruguai já anunciou que vetará a candidatura do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner (2003-2007) à Secretaria-Geral da Unasul devido ao conflito entre os dois países pela instalação de uma fábrica de celulose na margem oriental do fronteiriço rio Uruguai.
Enquanto isso, a Venezuela defende sua própria idéia de integração, orientada a unir os países do sul do continente e a reforçar a independência das instituições que classifica como "do norte", dominadas, segundo sua opinião, pela Casa Branca.
A Bolívia também aposta na minimização da influência da Casa Branca na América Latina. O presidente boliviano, Evo Morales, anunciou que na 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe lançará uma proposta para que Cuba retorne à Organização dos Estados Americanos (OEA). Também poderá defender a fundação de um organismo similar, mas sem os EUA.
Integração energética
A integração energética latino-americana é ainda uma promessa vaga para milhões de habitantes da região e é um dos temas centrais da 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe.
O Brasil se consolida como potência energética emergente e disputa com a Venezuela a hegemonia regional na área dos hidrocarbonetos, ao mesmo tempo em que trata de consolidar a própria integração de seu vasto território em matéria de energia. Por isso, o país investe com força em suas próprias obras para garantir a provisão de uma população que chegará a 240 milhões em 2030.
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