Islamabad, 22 nov (EFE).- O presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, propôs hoje um acordo de não-proliferação nuclear para o sul da Ásia e assegurou que o Paquistão "não será o primeiro país a utilizar a arma atômica".
O viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto fez estas declarações em Islamabad, em um discurso por videoconferência, durante a Cúpula de Liderança organizada em Nova Délhi pelo jornal indiano "Hindustan Times".
"Não nos sentimos ameaçados pela Índia, e a Índia também não deveria se sentir ameaçada por nós", disse Zardari, que acrescentou que os dois países "têm um grande futuro pela frente, apesar das diferenças".
"Levaremos a amizade com a Índia para novos níveis", ressaltou Zardari, na Presidência do Paquistão desde setembro.
Paquistão e Índia, potências nucleares há uma década, mantêm uma complicada relação desde a partilha do subcontinente indiano e sua independência do Império Britânico, em 1947.
"Acredito na mudança, com visão para a região, e acredito na reconciliação", ressaltou o presidente paquistanês, que apostou na resolução do conflito na Caxemira, território que os dois países disputam e que os fez travar várias guerras.
No entanto, Zardari foi contundente ao assegurar que "a Caxemira pertence aos caxemirianos".
A Caxemira administrada pela Índia está imersa em pleno processo eleitoral, com a realização de eleições para a Assembléia regional, desenvolvidas em sete fases, que começaram no último dia 17.
O líder paquistanês se mostrou otimista em aprofundar os acordos econômicos e de cooperação com a Índia, e não descartou uma maior integração que os leve a compartilhar uma moeda comum no futuro.
Zardari evitou se pronunciar sobre as acusações contra os serviços de inteligência de seu país de promover a atividade de grupos insurgentes na Caxemira.
O presidente paquistanês disse que ele próprio é "vítima do terrorismo", e lembrou que sua esposa morreu em um atentado em 27 de dezembro do ano passado.
Zardari também expressou sua convicção de que o presidente eleito americano, Barack Obama, trará mudanças e uma "nova luz" ao mundo, e apostou na busca por "novos companheiros e mercados" para sair da severa crise econômica na qual o Paquistão está imerso. EFE igb/fh/an