Alfonso Fernández. Caracas, 22 nov (EFE).- Os cidadãos da Venezuela voltam às urnas amanhã em um momento em que se teme o impacto da crise financeira mundial, especialmente pela queda do preço do petróleo, principal e quase único produto de exportação do país.
A dois dias das eleições municipais e regionais, o preço médio do barril de petróleo venezuelano ficou em US$ 40,68, com recuo de US$ 5,67 frente à média de venda da semana anterior.
O Governo do presidente Hugo Chávez, que em um primeiro momento afirmou que o país estava desvinculado da crise financeira global, admitiu que os problemas na economia internacional terão impacto também na Venezuela, especialmente pela queda dos preços do petróleo, do qual é o quinto maior exportador mundial.
O Executivo venezuelano destacou a necessidade de aplicação de "austeridade" no orçamento de 2009, embora tenha assegurado que não serão reduzidos os programas sociais impulsionados em sua revolução bolivariana.
As eleições deste domingo, que representarão o 14º processo eleitoral em uma década no país, são realizadas ainda em um contexto de inflação desenfreada, e que poderia fechar o ano em mais de 30%, enquanto não se resolve também o clima de insegurança, principal preocupação dos cidadãos, segundo as últimas pesquisas.
O problema da criminalidade transformou a chegada da noite em um virtual toque de recolher, especialmente para os habitantes de grandes cidades como Caracas, Maracaibo ou Valencia.
"O povo não pode viver como um pássaro engaiolado", declarou o candidato oposicionista à Prefeitura metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, em entrevista à Agência Efe.
Para Ledezma, que já foi prefeito da capital na década passada, o clima de insegurança é "fruto da impunidade e da corrupção que migrou para os órgãos policiais".
Na opinião do diretor do instituto de pesquisa Datanálisis, Luis Vicente León, "para os venezuelanos a violência é vista quase como uma doença endêmica, associada à pobreza, e surpreendentemente não responsabilizam o Governo por isso".
Em declarações à Efe, León considerou que não existe um suposto cansaço dos eleitores venezuelanos por serem convocados anualmente às urnas. O diretor do Datanálisis ressaltou os altos níveis de agitação política do país caribenho.
"O povo está totalmente disposto a votar tanto na oposição como na base do Governo", disse León, em alusão aos venezuelanos que já parecem ter assumido como rotina eleições e uma campanha quase permanente dos partidos.
Há um ano, os cidadãos votavam no referendo sobre a proposta de reforma constitucional impulsionada por Chávez, e que acabou derrotada na consulta popular de 2 de dezembro. Foi o primeiro fracasso eleitoral do presidente desde sua chegada ao poder, há quase dez anos.
Esse fracasso e os problemas no abastecimento de alimentos de primeira necessidade nos primeiros meses de 2008 desencadearam uma queda de popularidade do presidente, que se recuperou na segunda metade do ano, até situar-se agora em quase 60% de aprovação.
No entanto, a preocupação dos cidadãos pela insegurança, a crescente inflação e as denúncias de corrupção em diversos setores do país pode custar cargos a governistas.
Diante da fragilidade de alguns de seus próprios candidatos, Chávez se envolveu como nunca na disputa eleitoral, para a qual outorga um caráter de plebiscito, levando em conta a derrota do referendo de reforma constitucional.
O analista Luis Vicente León afirma que o presidente venezuelano sabe que "não há revolução sem Chávez", e que por isso necessita de "uma simbólica vitória eleitoral", embora as eleições não tenham âmbito nacional. EFE afs/fr