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Chávez busca assegurar sua revolução frente a opositores e dissidentes

22/11 - 10:03 - EFE

CARACAS - As eleições municipais e regionais de amanhã na Venezuela constituem para o governo do presidente Hugo Chávez um desafio para assegurar sua revolução, enquanto a oposição aposta em uma difícil unidade e surgem dissidências do chavismo.

 

Com o lema de que votar a favor dos candidatos governistas é "votar em Chávez", o presidente venezuelano, com um alto índice de popularidade, buscou transformar o pleito deste domingo em uma espécie de plebiscito sobre sua pessoa e sua proposta socialista para o país.

Um ano após perder o referendo sobre a reforma constitucional que propunha em seu caminho rumo ao socialismo, Chávez empreendeu uma cruzada em apoio aos candidatos do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), legenda que criou para reunir movimentos que o apoiavam no poder.

Diante de pesquisas que prevêem derrota dos governistas nas eleições, o presidente multiplicou sua presença em comícios e caravanas em todo o país nas últimas semanas, com várias aparições diárias em diferentes cidades.

Também aumentou o número de atos institucionais com a presença de Chávez, muitos deles transmitidos em rede obrigatória de rádio e TV.

Segundo analistas, Chávez necessita de uma clara vitória amanhã para consolidar sua ideologia política e buscar, em um futuro próximo, uma maneira de reativar sua proposta de reeleição ilimitada, que ficou em suspense após ter sido rejeitada a reforma constitucional que impulsionava.

O pleito deste domingo reunirá cerca de 17 milhões de eleitores, que poderão escolher 22 governadores, além de prefeitos e legisladores regionais.

A votação representa "um confronto entre dois modelos ideológicos", e coloca em jogo "o futuro da revolução bolivariana", disse à Agência Efe o candidato à Prefeitura metropolitana de Caracas apoiado por Chávez, Aristóbulo Istúriz.

O candidato considerou também que a chamada "dissidência" do governo "é conjuntural", e que "o 'chavismo' tem uma grande capacidade para se recuperar das dissidências".

Em várias regiões, os candidatos do PSUV têm pela frente não apenas a oposição "tradicional", mas também "dissidentes" do chavismo que rejeitaram o apelo feito em nome de uma unidade sob a bandeira do partido criado pelo presidente.

A "dissidência" do governo começou a se manifestar quando Chávez lançou uma proposta de partido único.

Na ocasião, muitas personalidades e legendas como a Pátria Para Todos (PPT) e o Partido Comunista da Venezuela (PCV) se distanciaram do líder e chegaram a ser classificadas de "traidores" por Chávez.

Nas últimas eleições municipais e regionais, realizadas em 2004, o chavismo ganhou em todos os estados do país, salvo dois: Nueva Esparta (leste) e o rico estado petrolífero de Zulia (oeste).

Posteriormente, cinco governadores escolhidos sob a plataforma chavista se separaram do Governo.

Para a eleição de amanhã foram mantidas candidaturas dissidentes em estados tão simbólicos como o de Barinas, natal do presidente e onde seu irmão, Adán, é o aspirante governista para suceder no cargo o pai de ambos, Hugo de los Reyes Chávez.

Visando ao pleito de amanhã, a oposição não conseguiu também a esperada unidade sem falhas que tanto vinha sendo apregoada por seus dirigentes, apesar do pacto de 23 de janeiro último em que definiram a apresentação de "candidaturas unificadas" na disputa.

Na semana passada, o líder opositor Julio Borges afirmou que tinha conseguido um único candidato para "mais de 90%" do total de 603 cargos em disputa nas eleições, e expressou esperança de que todas as divergências pudessem ser resolvidas a tempo.

Em vários estados se chegou a um consenso após duras disputas entre candidatos opositores, mas as divisões persistem em alguns casos, como no município caraquenho de Chacao, considerado reduto antichavista e no qual três representantes da oposição e um governista lutam pela Prefeitura.

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