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Piratas do Sirius Star pedem reforço de combatentes somalis

21/11 - 14:31 - AFP

Pelo menos cem combatentes que apóiam os piratas somalis autores do seqüestro do superpetroleiro saudita Sirius Star se encontram no porto de Harare ante o temor de que as forças antipirataria lancem uma operação para libertar a embarcação ancorada nesse pequeno porto.

 

"Os combatentes vieram da região de Gulgudud e Mudug" no centro da Somália, declarou Mohamed Awale, um morador de Harardere.

Os piratas somalis a bordo do superpetroleiro saudita Sirius Star exigiram na última quinta-feira um resgate de US$ 25 milhões a ser pago dentro de dez dias, desafiando abertamente a comunidade internacional que mobiliza cada vez mais navios de guerra ao longo da costa da Somália.


Foto de arquivo mostra navio saudita sequestrado no sábado / AP

Segundo Martin Jensen, diretor da companhia Frontline, líder mundial do transporte de petróleo, recorrer a uma estratégia militar mais agressiva é a única solução para a escalada da pirataria nas costas somalis.

Jensen disse que a Frontline, que tem uma frota de 80 petroleiros, está planejando pedir a seus barcos que evitem as águas somalis no Oceano Índico e no Golfo de Aden, e passem pelo Cabo da Boa Esperança caso uma força internacional não seja mobilizada rapidamente.

Também enfatizou que a pirataria não é um problema que possa ser resolvido por apenas uma companhia.

O armador norueguês Odfjell afirmou ainda na segunda-feira que também optará pela rota de circula o Cabo da Boa Esperança, mais longa e mais cara, porém mais segura.

Outra grande companhia mundial de transporte de petróleo, a Neptune Orient Lines (NOL), com sede na Cidade de Cingapura, indicou que está acompanhando de perto a situação no Golfo de Aden, mas, por enquanto, não desviou seus navios.

Cooperação entre países

Por outro lado, os países árabes do Mar Vermelho, reunidos na quinta-feira no Cairo, culparam a instabilidade na Somália pela recente onda de ataques de piratas na região, e se comprometeram a cooperar para combater este fenômeno.

Dirigentes sauditas, sudaneses, dos Emirados Árabes, djibutianos, jordanianos e do governo provisório da Somália participaram da reunião, presidida pelo Iêmen e pelo Egito.

No comunicado final, os participantes prometeram que a soberania da Somália será respeitada em caso de medidas contra a pirataria, sem entrar em detalhes sobre como os diferentes países pretendem acabar com os ataques.

No texto, eles expressaram "a preocupação dos países árabes do Mar Vermelho com o crescimento do fenômeno da pirataria".

"A pirataria ao largo do litoral somali é uma das conseqüências da deterioração da situação política, humanitária e da segurança na Somália", ressaltaram os participantes.

Segundo o comunicado, os Estados vão nomear comissões militares encarregadas de emitir recomendações sobre as diferentes formas de combater a pirataria.

Uma das opções é "monitorar os piratas e impedi-los de entrar no Mar Vermelho", diz o texto.

Os Estados árabes ainda destacaram que apoiarão as operações internacionais contra a pirataria, "desde que elas sejam conforme ao direito internacional e respeitem a soberania dos países, tanto de seus territórios como de suas águas".

Piratas somalis seqüestraram o Sirius Star, de 330 metros de comprimento e carregado com 300.000 toneladas de petróleo, e exigiram 25 milhões de dólares para libertar o navio e seus 25 tripulantes.

O valor da carga de petróleo transportada pelo Sirius Star é de cerca de 100 milhões de dólares.


Mapa mostra a região do sequestro

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