WASHINGTON - Líderes congressistas democratas exigiram na quinta-feira a apresentação de um plano de sobrevivência por parte das três maiores montadoras dos EUA em troca do apoio a um plano de até US$ 25 bilhões para salvar o setor.
Em jogo, está o futuro da General Motors, da Ford e da Chrysler, cujas perdas se acumularam durante uma severa crise econômica que levou os norte-americanos a parar de comprar veículos.
Os democratas reconheceram que a crescente insatisfação dos norte-americanos com os socorros governamentais a empresas está atrapalhando a aprovação do plano para o setor automobilístico, dizendo que cuidarão disso depois que as montadoras apresentarem uma rota para a sua sobrevivência.
A presidente da Câmara dos Deputados, a democrata da Califórnia Nancy Pelosi, e o líder da maioria no Senado, Harry Reid, de Nevada, disseram em uma concorrida coletiva de imprensa no Capitólio que as montadoras devem apresentar uma proposta de resgate até 2 de dezembro. O plano será analisado na semana de 8 de dezembro.
"Até que nós vejamos um plano em que a indústria automobilística seja financeiramente sustentável e um plano para a viabilidade sobre como eles entrarão no futuro... nós não podemos mostrar o dinheiro para eles", disse Pelosi.
Reid afirmou: "Nós só podemos se elas (as montadoras) quiserem se ajudar".
Dando um pouco de esperança às empresas, senadores norte-americanos anunciaram na quinta-feira um acordo bipartidário para aprovar um pacote de ajuda ao setor automobilístico, o que horas antes parecia impossível.
A Casa Branca disse que o presidente George W.Bush poderia apoiar a proposta. Patrocinada pelos senadores Carl Levin, democrata de Michigan, e Christopher Bond, republicano do Missouri, ela prevê empréstimos de 25 bilhões de dólares do Departamento de Energia para a fabricação de carros menos poluentes afim de ajudar as empresas a superarem a crise.
Mas os democratas querem que os US$ 25 bilhões sejam retirados dos US$ 700 bilhões aprovados em outubro para a recuperação do setor financeiro.
Grandes em apuros
As grandes montadoras dos EUA dizem precisar desses US$ 25 bilhões para enfrentar a forte retração das vendas. Os executivos- chefes dessas três empresas depuseram nesta semana a comissões parlamentares. Mas foram criticados ao voar para Washington em jatos particulares de suas empresas em vez de pegarem vôos comerciais.
"Eu sei que não foi planejado, mas esses caras voarem em seus grandes jatos corporativos não manda uma boa mensagem para asa pessoas em Searchlight, Nevada ou Las Vegas, ou Reno, ou em qualquer outro lugar neste país", disse Reid.
As preocupações do setor se somam a um quadro econômico caóticos nos EUA. As bolsas de valores dos EUA fecharam em forte baixa, entre outros fatores pelo temor de que, sem pacote, milhares de trabalhadores sejam demitidos, agravando a recessão que muitos economistas dizem já estar em curso.
A falência de uma ou mais indústrias automobilísticas afetaria amplos setores econômicos dos EUA, um argumento que os democratas têm enfatizado. Alguns republicanos argumentam que uma concordata levaria essas empresas a fazerem mudanças estruturais que poderiam garantir sua sobrevivência em longo prazo.
Muitos analistas acreditam que as ditas "três grandes" precisam de uma gigantesca reestruturação para cortar custos com mão-de-obra e mudar sua linha de produção, abandonando os modelos utilitários de alto consumo, desprezados pelos consumidores desde que a gasolina chegou a mais de 1 dólar por litro, em meados deste ano.
Ação de Graças
Reid foi rapidamente ao plenário do Senado e disse que uma sessão depois do feriado de Ação de Graças, na semana que vem, pode mesmo ser necessária.
Ele não fez menção ao pacote automobilístico, e a Casa Branca o acusou de protelar a votação sobre o plano.
Dana Perino, porta-voz do governo Bush, pediu que os democratas emendem o projeto que cria um fundo de US$ 25 bilhões para estímulo à produção de carros mais econômicos e ambientalmente corretos. Isso permitiria empréstimos de emergência às empresas.
Em conversa com jornalistas, Perino disse que Reid está tentando culpar o presidente George W. Bush por sua própria incapacidade de obter o apoio bipartidário para usar o fundo de US$ 700 bilhões.
"Infelizmente, parece que o senador Reid quer apanhar sua bola e ir para casa pelas próximas duas semanas", disse ela.
Mesmo com o acordo entre os negociadores do Senado, o projeto enfrenta obstáculos. Seria preciso o aval de todos os cem senadores, o que é raro, para que o texto fosse rapidamente encaminhado ao plenário.
Além disso, o eventual projeto precisaria ter pelo menos 60 votos para evitar eventuais obstruções regimentais de senadores contrários.
Também não está claro se a Câmara vai permanecer em sessão até o final desta semana.
Outra possibilidade é uma votação após o Dia de Ação de Graças. Nesta semana, Pelosi descartou a possibilidade de sessão pós-feriado. Mas Reid disse que conversaria com Pelosi ainda na quinta-feira sobre a possibilidade de uma outra sessão curta.