14/09 - 18:48 - Redação com Reuters
SANTA CRUZ DE LA SIERRA - A oposição boliviana quer a participação do Brasil nas negociações com o governo do presidente Evo Morales para acabar com dias de enfrentamentos violentos que já custaram a vida de quase 30 pessoas.
O governador oposicionista do departamento de Santa Cruz, Ruben Acosta, disse neste domingo que o 'Brasil é uma garantia de que isso pode ter uma solução'.
Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio vai a Santiago participar de uma reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasur), convocada pela presidente chilena, Michelle Bachelet, para tratar da situação na Bolívia.
'Esperamos do Brasil e do presidente Lula de que o país irmão --e vamos exigir hoje que o Brasil esteja presente no diálogo --ante qualquer possibilidade que possa haver de negociação ou uma facilitação', afirmou Costa, referindo-se ao encontro de domingo à noite entre Morales e a oposição.
Santa Cruz é um dos quatro departamentos que lideram a resistência ao plano de Morales de implantar uma Constituição de caráter socialista, que consolidará a nacionalização da economia e dará mais poder aos indígenas.

Manifestantes da oposição entram em confronto com partidários de Morales / Reuters
Busca de diálogo
Há três semanas, a Bolívia é sacudida por violentos enfrentamentos entre seguidores de Morales e opositores. Em meio à onda de violência, os departamentos de oposição aceitaram abrir um canal de diálogo com o governo para chegar a um acordo de reconciliação nacional.
Uma reunião foi marcada para este domingo, quando funcionários do governo se reunirão com o governador do departamento de Tarija, Mario Cossio, que representará a oposição. Em Santa Cruz, a mediação brasileira é vista como fundamental para um acordo.
'Esperamos que o presidente Lula possa mediar. Houve contatos iniciais com o Brasil e esperamos que o Brasil, com a liderança que tem na região, possa ser aquele que leve à pacificação da Bolívia', declarou Branko Marinkovic Jovicevic, presidente do movimento para a autonomia de Santa Cruz.
No departamento de Pando, os conflitos entre opositores e apoiadores do governo deixaram quase 30 mortos, e na sexta-feira o presidente Morales decretou estado de sítio na região.
Crise política na Bolívia
A Bolívia vive há semanas uma onda de protestos contra o governo em várias regiões do país controladas pela oposição, que gerou choques desde terça-feira passada.
Os governadores regionais opositores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca exigem que Morales devolva a receita petrolífera que as regiões recebiam pelo Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH) e que o Governo cortou para dar um auxílio direto aos idosos.
Estes governadores promoveram processos de autogoverno em suas regiões que o Executivo qualifica de "ilegais" e "separatistas". Também rejeitam frontalmente a Constituição impulsionada por Morales e suas bases.

Mapa político da Bolívia
Leia também:
Leia mais sobre: crise na Bolívia

Publicidade
Para facilitar fim de crise, opositores anunciam fim de bloqueios na Bolívia
Forças Armadas tomam controle de região opositora, diz TV boliviana
Governo eleva para cerca de 30 número de mortos no confronto de Pando