14/09 - 03:01 , atualizada às 10:54 14/09 - Redação com agências internacionais
La Paz - O governo da Bolívia elevou hoje para cerca de 30 o número de pessoas que morreram no confronto armado entre civis ocorrido na quinta-feira na região de Pando, que se encontra em estado de sítio.
Em entrevista coletiva, o ministro de governo (Interior), Alfredo Rada, afirmou que o número de vítimas "se aproxima de 30" e insistiu em que se trata da "maior massacre" ocorrido durante a democracia na Bolívia.
Rada confirmou o achado de outros dez corpos nos montes e no rio próximos à localidade de Porvenir, onde na quinta-feira grupos de opositores autonomistas se enfrentaram com simpatizantes do governo de Evo Morales.
A maioria dos mortos, segundo o governo, é camponeses que foram "massacrados" e "crivados de balas" por pessoas que pertencem à Prefeitura (Governo) de Pando, cujo titular é o opositor Leopoldo Fernández.

Grupos de oposição protestam na Bolívia / AP
Rada compareceu perante os jornalistas para responder ao comunicado dos perfeitos regionais opositores de Santa Cruz, Beni e Tarija, que advertiram hoje romper o diálogo com o governo se houver um só morto ou mais.
Morales acusa "pistoleiros brasileiros" por mortes
O presidente da Bolívia Evo Morales acusou a oposição de ter contratado pistoleiros do Brasil e do Peru para participar de uma ação que deixou 16 mortos em Pando. Em razão disso, na noite de sábado, Morales determinou a prisão do governador de Pando, Leopoldo Fernandéz, acusando-o também de desafiar o estado de sítio instaurado no país há dois dias.
Segundo informações do Jornal "Folha de S. Paulo", pela manhã, Morales fez duras críticas a Fernadéz. “O que aconteceu em Cobija, submetralhadoras, narcotraficantes, pistoleiros brasileiros e peruanos operando sob o departamento de Pando é muito grave”, disse.
O ministro Juan Ramón Quintana também acusou o governador pelas mortes. "Vamos prendê-lo onde estiver em Pando", afirmou a uma rádio.
Conforme o jornal, Fernandéz concedeu uma entrevista por telefone aos jornalistas e declarou que não defendera nem atacara o estado de sítio. Para ele, esta é uma ação que visa isolar e militarizar Pando. “Aqui está um clima de guerra, afirmou o governador. Ele também negou a participação de brasileiros no confronto e afirmou que a violência começou na madrugada depois que supostos militantes camponeses mataram três funcionários do Serviço Nacional de Caminhos (SNC).
Crise política na Bolívia
A Bolívia vive há semanas uma onda de protestos contra o governo em várias regiões do país controladas pela oposição, que gerou choques desde terça-feira passada.
Os governadores regionais opositores de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca exigem que Morales devolva a receita petrolífera que as regiões recebiam pelo Imposto Direto aos Hidrocarbonetos (IDH) e que o Governo cortou para dar um auxílio direto aos idosos.
Estes governadores promoveram processos de autogoverno em suas regiões que o Executivo qualifica de "ilegais" e "separatistas". Também rejeitam frontalmente a Constituição impulsionada por Morales e suas bases.

Mapa político da Bolívia
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