13/09 - 12:40 , atualizada às 14:01 13/09 - Redação com agências
BOLIVIA - O Governo da Bolívia confirmou neste sábado que 16 pessoas morreram nos confrontos armados ocorridos nos últimos dias no departamento (estado) de Pando, que desde esta sexta-feira está em estado de sítio.
Aos nove mortos iniciais se somaram mais sete corpos, que estão amontoados às margens do rio próximo à zona de confronto, à espera de serem evacuados, disse o ministro de Governo, Alfredo Rada, em entrevista à "Rádio Fides.
O presidente informou que não estenderá o estado de sítio a outras regiões do país se os opositores autonomistas interromperem seus ataques contra as instituições estatais e as infra-estruturas energéticas.
"Se os governadores devolverem as instituições do Estado, se deixarem de atentar contra os gasodutos e as refinarias, que são patrimônio do povo, não há por que pensar em ampliar o estado de sítio", afirmou.
Evo Morales agradeceu também neste sábado a solidariedade da comunidade internacional a seu governo, que enfrenta a pior crise política desde que assumiu o poder em janeiro de 2006.
Morales enfrenta os prefeitos opositores e líderes civis de cinco regiões do país, que não aceitam a intenção do Executivo de validar em um referendo o projeto de nova Constituição de cunho estatal e indigenista.
"Em nome do povo boliviano e em nome pessoal agradeço a grande solidariedade da comunidade internacional. Todos expressaram a defesa da democracia boliviana", afirmou o presidente em uma entrevista coletiva no palácio presidencial de Quemado, em La Paz.
"Estas iniciativas me fortalecem e me comprometem a seguir aprofundando e consolidando a democracia boliviana, mas fundamentalmente este processo de mudança, a transformação do país", disse.
O presidente convocou uma reunião para amanhã, em La Paz, com os prefeitos (governadores) da oposição. A informação foi dada pelo prefeito de Tarija, Mario Cossío, na madrugada deste sábado, ao final de um encontro com o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera.
O recado será passado por ele a outros líderes opositores que se recusam a sentar à mesa de negociações com o governo. "Estou convencido de que o momento para expressarmos nosso desejo de diálogo e de reconciliação é agora, e não mais tarde", havia dito Cossío antes do encontro. "Não devemos repetir a história de outros países que tiveram de sentar e dialogar apenas depois de milhares de mortes", disse.
Na segunda-feira, um encontro entre os países sul-americanos em Santiago, no Chile, também tratará do tema, informou o governo venezuelano.
*Com informações das agências EFE, AFP e BBC
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