26/08 - 08:25 , atualizada às 09:56 26/08 - Redação com EFE
MOSCOU - O presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou hoje que a Rússia reconhece a independência das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.
Em discurso pela televisão, o chefe do Kremlin informou que assinou os decretos sobre o reconhecimento pela Rússia da independência das duas regiões georgianas, e pediu que outros Estados sigam seu exemplo e façam o mesmo.

Presidente russo Dmitri Medvedev em seu pronunciamento na TV / Reuters
Geórgia ameaça
O reconhecimento russo da independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul teria "resultados desastrosos, inclusive para a Rússia", advertiu o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili na segunda-feira, quando o Senado russo pediu ao presidente do país, Dmitri Medvedev, que reconhecesse a independência da Abkházia e da Ossétia do Sul.
"Acho que se trata de uma falta grave, de uma tentativa de mudar as fronteiras da Europa por meio da força. Terá resultados desastrosos, inclusive para a Rússia", afirmou Saakashvili.
Não acho" que haja alguém "suficientemente irresponsável na comunidade internacional para aceitá-lo", afirmou Saakashvili em entrevista publicada pelo jornal "Libération".
Para o presidente georgiano, "trata-se de uma invasão clássica, que não tem nada a ver com o direito internacional. Tentam matar o direito das nações".
Questionado sobre por que interveio na Ossétia do Sul, Saakashvili disse que os confrontos já tinham começado e a única opção era "repelir os russos ou capitular e aceitar um regime como no Vichy", em referência ao regime colaboracionista francês durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial.
O presidente georgiano afirmou que pensava que haveria um ataque russo na Abkházia e que sempre achou que a Ossétia do Sul "era um território sem importância para a Rússia".
"Inclusive quando começou a subir a tensão ali, achei que era um blefe e que seria possível parar tudo. Cometi essa falta porque pensei que o ataque principal ocorria na Abkházia. Não que (os russos) pudessem atacar Tbilisi", a capital da Geórgia, explicou.
Por outra parte, Saakashvili agradeceu ao presidente francês e de turno da União Européia (UE), Nicolas Sarkozy, por ter intermediado o acordo de cessar-fogo entre Rússia e Geórgia em 12 de agosto. "Era uma operação de salvamento", indicou.
Sarkozy convocou para a segunda-feira uma cúpula extraordinária da UE para falar da crise na Geórgia e do futuro das relações com a Rússia.
"A Rússia tentou dar a impressão de que houve uma vitória contra a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). A longo prazo, não pode ganhar esse jogo. Não é a União Soviética", argumentou Saakashvili, que defendeu a adoção de sanções contra os dirigentes russos.
O ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, afirmou segunda-feira que a UE não prevê sanções contra a Rússia e que na cúpula do bloco da próxima segunda-feira será analisada a retirada russa e se falará do futuro.
Repercussão
Em pronunciamento, o ministro das Relações Exteriores da França qualificou hoje de "lamentável" a decisão da Rússia de reconhecer a independência das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia.
Ontem, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse em Estocolmo que o reconhecimento da independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul vai "contra o direito internacional dos povos."

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