19/08 - 19:08 , atualizada às 20:15 19/08 - AFP

A Rússia rejeitou, nesta terça-feira, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, um novo projeto de resolução sobre a Geórgia, apresentado pela França, alegando que não menciona, especificamente, os seis pontos do acordo de paz aceito por Tbilisi e Moscou.
"Não podemos aceitar que (na resolução) sejam mencionados apenas dois dos seis pontos do plano de paz, nem que sejam incluídos condicionantes políticos", disse o embaixador russo nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, na saída da reunião do Conselho de Segurança.
Segundo o diplomata, a menção explícita, no texto, dos seis pontos do acordo de paz é indispensável. O projeto francês apresentado cita apenas dois deles, referentes à retirada das forças russas, por um lado, e georgianas, por outro.
Reunião da ONU
Na proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU, o Ocidente pediu à Rússia que recue imediatamente para as posições prévias ao recente conflito.
O texto, apresentado aos participantes logo antes da reunião, também pede a volta das tropas georgianas aos seus quartéis e a implementação imediata do cessar-fogo já assinado por ambas as partes.
O texto, redigido pela França após contato com outros governos, cita 'a integridade territorial da Geórgia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas'.
Depois de consultas a portas fechadas, houve uma reunião formal em que altos-funcionários da ONU prestaram esclarecimentos sobre a situação na Geórgia. Diplomatas ocidentais disseram que a resolução não deve ser votada na terça-feira.
O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse na terça-feira que a resolução deveria incluir o texto do plano de paz francês. Segundo assessores, ele conversou por telefone sobre a resolução com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.
Alguns tanques e blindados russos deixaram na terça-feira a cidade georgiana de Gori, mas a Otan disse que suspenderá seus contatos com Moscou até que todas as forças russas deixem a Geórgia.
O Kremlin disse na terça-feira que as tropas russas recuarão até dia 22 para as posições prévias ao conflito.
Mas, pouco antes da reunião do Conselho, o embaixador-adjunto da França, Jean-Pierre Lacroix, disse: 'Estamos muito preocupados [porque a retirada] ainda não aconteceu, e vamos discutir isso no Conselho'.
Crise na Ossétia do Sul
A crise começou em 7 de agosto, quando a Geórgia enviou tropas para tentar reassumir o controle da Ossétia do Sul, uma província separatista e etnicamente distinta que desde 1991 já goza de autonomia sob proteção de Moscou.
Moscou reagiu enviando seus próprios soldados para ocupar não só a Ossétia do Sul, como parte da Geórgia propriamente dita. Na semana passada, a França conseguiu mediar um cessar-fogo.

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