14/08 - 19:02 , atualizada às 19:54 14/08 - Redação com agências internacionais
O exército russo controla "um terço" da Geórgia, onde está acompanhado por "milhares e milhares de soldados em situação irregular" que saqueiam e violam a população civil, denunciou, nesta quinta-feira, o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.
"Esse exército russo, acompanhado por irregulares, se desloca ao lado de saqueadores, violadores, incendiários e ladrões", disse Saakashvili à imprensa, considerando, também, que esses elementos chegam a "milhares e milhares".
Segundo Saakashvili, os russos ocupavam "a maior parte" de seu país e os acusou de terem destruído Tsjinvali, a capital da Ossétia do Sul, a região separatista pró-russa que seu governo tentou controlar à força há uma semana, causando o atual conflito russo-georgiano.
A Rússia sustenta que foi a ofensiva da Geórgia que destruiu a capital da Ossétia do Sul, causando mais de 1.500 mortos - um número impossível de ser verificado até o momento.
Fim das hostilidades
A Rússia se comprometeu em retirar suas tropas da cidade Gori até sexta-feira, declarou o embaixador francês na Geórgia, Eric Fournier, cujo país negociou um acordo para o cessar das hostilidades russo-georgianas.
"Os russos se comprometeram e deixarão Gori até sexta-feira", declarou Fournier à imprensa.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que se encontra em Paris para uma missão para demonstrar o apoio de Washington ao governo de Tbilisi em seu conflito com a Rússia por duas regiões separatistas georgianas, deve se reunir ainda na quinta-feira com presidente francês, Nicolas Sarkozy, com quem negociou pessoalmente um acordo de cessar-fogo.
Ela segue depois para Tbilisi, onde se encontrará com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.
Rice advertiu à Rússia na véspera que o país enfrentará o isolamento se não respeitar o cessar-fogo acordado no conflito com a Geórgia.
"Devo dizer que os informes não são animadores sobre o respeito da Rússia do cessar-fogo, da promessa formulada", declarou Rice à imprensa.
O ministério das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, rebateu dizendo que o governo americano "deve escolher entre uma parceria com Moscou ou com a liderança georgiana".
Rússia e Geórgia se acusam mutuamente de romper o cessar-fogo mediado pela França. Na quarta-feira, ministros do Exterior da União Européia disseram que pretendem enviar monitores - mas não tropas - à Geórgia, desde que eles recebam apoio da ONU.
"Estamos determinados a agir e pedimos à Comissão (Européia) e aos altos representantes que preparem esta intervenção", disse o ministro francês do Exterior, Bernard Kouchner, após uma reunião com os chanceleres do bloco.
Ainda na quarta-feira, o primeiro carregamento de suprimentos enviado pelos Estados Unidos chegou à capital georgiana, Tbilisi, a bordo de um avião militar, horas depois que o presidente americano, George W. Bush, ter prometido enviar ajuda humanitária à Geórgia, seu tradicional aliado na região do Cáucaso.
O comissário especial dos Estados Unidos à região, Matthew Bryza, disse que esta foi a primeira carga de várias que vão chegar por mar e ar. Segundo Bryza, o material será direcionado para milhares de pessoas desabrigadas dentro da Geórgia.

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Opinião:
(*Com informações da agência AFP e BBC Brasil)

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