12/08 - 18:58 , atualizada às 19:34 12/08 - Redação com agências internacionais
TBILISI - O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou, nesta terça-feira, em Tbilisi, que o chefe de Estado da Geórgia, Mikhail Saakashvili, concordou com o cessar-fogo já aceito pela Rússia sobre o conflito envolvendo a Ossétia do Sul.
"De modo geral, aprovamos os seis princípios do cessar-fogo e do acordo para a solução do conflito", disse Sarkozy, que promove os contatos na qualidade de presidente rotativo da União Européia (UE), durante uma entrevista coletiva conjunta com Saakashvili.
O presidente Mikhail Saakashvili afirmou que a Geórgia não aceitará que sua integridade territorial seja posta em xeque em nenhum acordo de paz. "Nossa integridade territorial e o pertencimento da Ossétia do Sul e da Abkházia à Geórgia nunca poderão ser questionados".
Sarkozy, mediador no conflito na qualidade de presidente de turno da União Européia (UE), pactuou previamente este plano com o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que anunciou nesta terça-feira o fim das operações militares russas na Geórgia.
As partes russa e georgiana devem se comprometer a não "recorrer à força", a "cessar as hostilidades de maneira definitiva" e a garantir um "acesso livre à ajuda humanitária". Além disso, as forças georgianas devem retornar para "seu lugar habitual de acantonamento", enquanto o Exército russo deve se retirar "até as linhas anteriores à deflagração das hostilidades", declarou Sarkozy.
O sexto ponto do plano prevê "a abertura de discussões internacionais sobre o status futuro e as modalidades de segurança durável, na Abkházia e na Ossétia do Sul (os dois territórios separatistas pró-russos na Geórgia)", acrescentou o presidente francês, em uma entrevista coletiva junto com Medvedev, em Moscou.
O governante francês foi recebido no aeroporto por Saakashvili, que, antes das negociações, se transferiu com Sarkozy para assistir a um comício grande convocado no centro de Tbilisi.

Explosões
Na zona de conflito, uma série de explosões inesperadas atingiu a cidade de Gori (70 quilômetros a oeste de Tbilisi), nesta terça-feira, matando ao menos cinco civis.
Imagens de TV e fotos sugeriram que as explosões haviam sido provocadas por morteiros, apesar de não se saber ainda quem tinha realizado os disparos. Forças russas estariam estacionadas a cerca de 12 quilômetros de distância naquele momento e negaram ter atacado a cidade, local onde nasceu o líder soviético Josef Stalin.
Uma outra testemunha da agência Reuters disse que as explosões ocorreram dentro de um pequeno intervalo de tempo, deixando crateras nas ruas e espalhando estilhaços.
A rede de TV RTL afirmou depois que um cinegrafista da Holanda estava entre os mortos e que um correspondente havia ficado ferido.
Vítimas
A Rússia afirma que 1.600 civis da Ossétia do Sul foram mortos nos combates e que milhares mais estão desabrigados. Mas essas cifras não foram confirmadas por nenhuma fonte independente.
A Geórgia registrou cerca de 200 mortos e centenas de feridos.

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(*Com informações das agências AFP, EFE e Reuters)
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