iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

publicidade

ULTIMO SEGUNDO

 

iG BUSCA

enhanced by


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Viagem de Obama pauta eleições americanas

03/08 - 21:42 - Régis Bonvicino, especial para o Último Segundo

A viagem do senador democrata Barack Obama ao Afganistão, Iraque, Israel, Jordânia e Europa na última semana de julho vai pautar as eleições presidenciais nos EUA doravante. Prova disso é a seqüência de três anúncios televisuais do senador republicano John McCain. O primeiro deles (lançado quando o candidato afro-americano ainda sobrevoava, de volta ao seu país, o solo europeu) caracterizava-o como um indiferente ao sofrimento dos soldados norte-americanos que se encontram, em recuperação, num hospital militar, em Berlim. O senador Obama cancelara visita a este hospital, para não incluir o exército em guerra, em sua campanha política. Em Berlim, fez um comício para 200 mil pessoas, mostrando que o anti-americanismo é, numa primeira leitura, mais um antibushismo, um grito contra o absurdo da guerra para a maioria.

  •  Saiba tudo sobre a corrida à Casa Branca   
  • Perfil Barack Obama: a proposta da inovação na política
  • Perfil John McCain: o candidato amarrado a uma guerra impopular

     





    O terceiro anúncio caracteriza o senador de Illinois como um messias populista, mendaz, e, deste modo, o compara, por negação, ao profeta Moisés, que levanta, na narrativa bíblica, os mares. O segundo dos anúncios foi, no entanto, o mais polêmico dos três e, ao mesmo tempo, o mais revelador do que subjaz a eles e à própria campanha presidencial norte-americana. Nele o senador democrata – sempre um “arrogante” nos comerciais de McCain – é comparado a Britney Spears e a Paris Hilton e tratado como uma celebridade mundial egocêntrica e vazia, tal como a cantora e a socialite, despreparada para governar. O que está por trás? Uma visão nacionalista dos próprios EUA em confronto com visão internacionalista, de retomada, ao menos, do multilateralismo e do diálogo com os outros países. O povo norte-americano é o mais nacionalista do mundo, daí ser designado por “bárbaro tecnológico”. Hoje, destaque-se, não há um político europeu capaz de reunir 200 mil pessoas num comício em Berlim ou Londres ou Paris.


    Nacionalismo Halliburton


    Para a extrema-direita norte-americana, que McCain agora representa, o internacionalismo é “elitista” e consiste em verdadeira “traição à pátria”. George Walker Bush invadiu o Iraque em desacordo com os outros países do chamado G-8, ou seja, unilateralmente.  O comercial do senador McCain anda por esses mesmos caminhos e, de fato, reafirma-os, condenando não apenas o senador Obama mas o diálogo, que não interessa à junta George Bush-Dick Cheney (vice-presidente dos EUA)- Halliburton Energy Services, uma das maiores companhias de petróleo do mundo, sediada em Houston, Texas, para a qual Cheney trabalha “nas sombras”.  A Halliburton opera em mais de 100 países, inclusive, no Brasil.

    Daí ocorrer nos comerciais do candidato republicano o resgate da cultura “Velho Oeste”, que me lembra a versão de Edson Borges para a famosa trilha de abertura da série de tevê “Bat Masterson”: “no Velho Oeste ele nasceu / E entre bravos se criou / Seu nome em lenda se tornou / Bat Masterson, Bat Masterson”, canção original de Havens Wray e Bart Corwin ; há um trecho da letra que expressa o que quero aqui dizer: “...Em toda canção cantava / Sua coragem e destemor...”. O senador Obama é considerado fraco,  frívolo como Spears e Hilton, porque não defende os “verdadeiros” interesses norte-americanos, com “coragem e destemor”. Ele não pode ser chamado de negro, o que levaria McCain à uma derrota fulminante. É definido, em conseqüência, em virtude de sua pregação do dialógo, como defensor de interesses anti-americanos. O curioso é que canções de Britney Spears são ainda utilizadas nas salas de tortura de Abu Graib e Guatánamo, num volume ensurdecedor. Paris Hilton disse que não autorizou o uso de sua imagem no comercial, o que implica, desde já, um milionário processo de danos morais contra o senador McCain, que, com o ataque às celebridades, perdeu também em definitivo Hollywood.

    O anúncio – marco dessa campanha – tem a assinatura Halliburton. Ao lado do rosto do senador Obama, que emerge só – após cenas dele com Spears e Hilton –  aparecem os dizeres “More foreign oil” (mais petróleo importado), com destaque para a palavra “foreign” (importado mas igualmente estrangeiro) – é peça polissêmica que aponta o senador de Illinois como um “forasteiro” – defensor, repito, de interesses anti-americanos, um “arrogante”, como o próprio democrata Bill Clinton o definira no início das primárias. O desespero do senador do Arizona – a terra de Malboro – e da junta Bush-Cheney-Halliburton justifica-se: pelo balanço do “The New York Times”, Barack Obama conta, hoje, com 172 delegados compromissados e mais 96 quase compromissados e John McCain com 98 compromissados e os mesmos 98 quase compromissados – pela votação popular dos Estados. Hoje, o Congresso nacional norte-americano elegeria o senador afro por 268 votos contra 196 do senador branco, marido de Cindy McCain, pessoa com fortuna estimada em US$ 100 milhões. A Halliburton está desesperada e, infelizmente, tudo pode acontecer.
     
     

    Assista ao vídeo da campanha de McCain contra Obama:


     


    Saiba mais sobre o escritor Régis Bonvicino

    Leia mais sobre: eleições nos EUA





  • US Multimídia


    Publicidade


    Enquete