25/07 - 14:01 , atualizada às 16:36 25/07 - Redação com agências internacionais
ROMA - O Conselho de Ministros da Itália aprovou nesta sexta-feira a declaração de estado de emergência em "todo o território nacional, devido ao persistente e excepcional afluxo de cidadãos estrangeiros", não pertencentes à União Européia (UE).
A decisão tem o objetivo de "potencializar as atividades de contraste e de gestão do fenômeno", informou um comunicado divulgado pelo governo.
A proposta de ampliar o estado de emergência a todo o país foi feita pelo ministro do Interior, Robert Maroni. "A emergência pela imigração havia começado em 2002, mas havia sido limitada a quatro regiões", acrescentou.
O ministro da Defesa, Ignazio La Russa, declarou, na saída do Conselho, que "a extensão do estado de emergência de clandestinos a todas as regiões da Itália não comportará um maior emprego do exército ou medidas de segurança especiais diferentes daquelas já utilizadas pelo governo". O ministro ressaltou que a decisão "significa apenas que todas as regiões poderão dispor com maior facilidade dos fundos para a criação de novos centros de identificação e expulsão de imigrantes clandestinos (Cpt)".
Com a medida aprovada hoje, "vamos estendê-la para todo o território", explicou o ministro da Simplificação do Programa, Roberto Calderoli. No entanto, duas embarcações com 147 imigrantes clandestinos foram interceptadas a poucos quilômetros da costa da ilha siciliana de Lampedusa por uma lancha da guarda costeira.
Lampedusa, região da Sicília e território mais próximo da costa africana, é um dos principais destinos de chegada de imigrantes procedentes da África e Ásia.
"Declaração de guerra"
A medida acirrou o debate entre governo e oposição no país e foi duramente criticada pela oposição e por ativistas dos diretos humanos.
A oposição critica duramente a decisão. "Uma declaração de guerra aos cidadãos extra-comunitários", definiu o deputado do Partido dos Comunistas Italianos (Pdci), Pino Sgobbio, "na Itália, existe apenas uma emergência: a democracia".
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, "deve explicar as razões" que levaram à declaração do estado de emergência, afirmou o deputado do Partido Democrático, Mario Barbi, uma medida, segundo o deputado oposicionista, que "não tem precedentes nem justificações".
"Para esse governo, o comum se torna sempre emergência", afirma Antonio Di Pietro, ex-magistrado do caso Mãos Limpas e líder do partido Itália dos Valores, que organizou em 8 de julho um protesto contra o governo reunindo 10 mil pessoas em Roma.
"Assim, o executivo se concede maior liberdade de manobra. É uma maneira de ter as mãos livres para retirar das instituições da lei sua própria função, isso vale para o Parlamento e para todas as outras instituições", concluiu.
A responsável pelas operações da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Itália, Loris De Filippi, afirmou à Ansa que a situação da chegada de imigrantes na Itália é "estável e estrutural desde 2002" e que não se pode falar objetivamente de emergência.
"Estamos em Lampedusa desde 2002 e não entendemos o motivo deste procedimento". A ativista admite que "desde janeiro deste ano, os desembarques de imigrantes clandestinos aumentaram em 30% em relação a 2007", mas lembra que "em comparação a 2002, 2003 e 2004 os números são mais ou menos os mesmos".
Os aliados do governo, por outro lado, refutam as criticas da oposição e das ONGs. Para o deputado do partido Povo da Liberdade (Pdl), Italo Bocchino, "negar que o problema da imigração clandestina seja uma emergência nacional significa ignorar os dados sobre a criminalidade na Itália que a cada ano o Ministério dos Interiores divulga.
Se 2% das pessoas que vivem no nosso país se tornam 5% das pessoas presas e 40% da população carcerária, significa que existe uma evidente e estatisticamente documentada emergência".
(*Com informações da agência Ansa
Leia também:
Leia mais sobre: imigração ilegal

Publicidade
Imigrantes ilegais recebem tratamento desumano nos EUA, diz estudo
Rede de imigração explorava 'miséria' de brasileiros na França, diz polícia
Brasileira reclama de 'truculência' em ação de agentes britânicos