10/06 - 17:29, atualizada às 17:56 10/06 - EFE
BOGOTÁ - O ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez, que ficou quase sete anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse hoje que a guerrilha cogita entregar seqüestrados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pérez, libertado em fevereiro passado, reiterou, antes de se reunir com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, que há operações em andamento para libertar vários seqüestrados.
Ele especificou que, dentro de alguns dias, será anunciado se a guerrilha recorrerá a Lula, aos presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e Equador, Rafael Correa, ou ao próprio Uribe.
"O processo está em andamento e o país saberá muito em breve o local, as condições, as coordenadas e as pessoas às quais (os reféns) serão entregues, se a Lula, ao presidente Chávez, a Correa ou a Uribe", disse o ex-parlamentar aos jornalistas ao entrar na casa presidencial de Nariño.
Pérez indicou que entre os que seriam libertados estão a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt, o ex-governador do departamento de Meta Alan Jara, o ex-parlamentar Óscar Tulio Lizcano e o ex-deputado regional de Valle del Cauca Sigifredo López.
O alto comissário para a Paz colombiano, Luis Carlos Restrepo, participou da reunião de Luis Eladio Pérez com Uribe.
Desde sua libertação, o ex-senador fez contatos em vários países para buscar um acordo humanitário para a troca de seqüestrados por guerrilheiros presos.
As Farc têm em seu poder um grupo de 40 políticos, soldados, policiais e americanos, os quais desejam trocar por 500 rebeldes presos, mas, para isso, exigem um acordo humanitário, condicionado a que o governo desmilitarize os municípios de Florida e Pradera (Valle del Cauca).
O ex-legislador considerou que uma libertação de seqüestrados seria um gesto das Farc para que o grupo seja retirado das listas internacionais de terrorismo.
Equador não quer contato
O governo do Equador descarta "qualquer contato" direto com as Farc para a libertação de reféns, disse o ministro de Segurança Interna e Externa equatoriano, Gustavo Larrea.
Em entrevista publicada hoje pelo jornal "El Telégrafo", Larrea afirmou que o Equador continuará fazendo gestões através do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) para conseguir a libertação dos seqüestrados pelas Farc.
O ministro indicou que manter contatos diretos com a guerrilha colombiana seria "dar respaldo" ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, para "satanizar" os "defensores dos direitos humanos e do Direito Internacional Humanitário".
Ele qualificou de "causa justa" a libertação de reféns e disse que não é preciso pedir "autorização para ninguém para lutar" por este objetivo, mas ressaltou: "obviamente, não vamos intervir no território colombiano nem vamos fazer qualquer ação que viole sua soberania".
Larrea, que reconheceu que participou de gestões humanitárias para a libertação dos reféns das Farc, disse crer que deveria haver uma "política conjunta com outros países amigos", entre eles França e vários da América Latina, para conseguir a entrega destas pessoas, na qual, diz, os direitos humanos devem estar "em primeiro plano".
Estes países fizeram chegar às Farc, através da imprensa colombiana e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a "exigência" para que libertem os seqüestrados, ressaltou Larrea.
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