Medellín (Colômbia), 1 jun (EFE).- O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, José Miguel Insulza, assegurou hoje que a crise política na Bolívia preocupa especialmente o organismo, porque tem uma estreita relação com a conservação e o fortalecimento da democracia e com a preservação da união nacional.
Na inauguração da 38ª Assembléia Geral da OEA, Insulza explicou que ambos os princípios são "fundamentais" para o organismo interamericano, por isso que "deu seu respaldo" ao Governo constitucional da Bolívia.
Assinalou que para solucionar a crise é "indispensável" respeitar os interesses legítimos da maioria nacional e harmonizá-los com os das regiões que buscam sua autonomia.
Insulza fez esta referência no mesmo dia em que as regiões bolivianas de Beni e Pando, governadas por opositores ao Governo do presidente Evo Morales, realizaram seus referendos sobre os estatutos autônomos, nos quais atingiram um respaldo superior a 80%.
Os referendos foram realizados entre incidentes isolados, o que Insulza lamentou em seu discurso inaugural, assistido pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, e outras personalidades do mundo político e diplomático do continente.
As regiões de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, todas lideradas por opositores ao Governo, lideram um movimento autonomista na Bolívia que vai de encontro ao projeto constitucional do presidente Evo Morales, que não reconhece os referendos como legítimos.
O titular da OEA expressou também sua preocupação pelo recente surgimento em Sucre e Santa Cruz de manifestações de racismo e condutas - já condenadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) - contra povoados indígenas.
Insulza se referiu assim aos distúrbios que aconteceram na semana passada em Sucre nos quais manifestantes opositores conduziram vários camponeses indígenas, seguidores de Morales, à praça principal da cidade, tiraram suas roupas, os maltrataram e os obrigaram a insultar o presidente.
O principal responsável da OEA lembrou que o organismo observará os referendos revogatórios do presidente Morales e dos governadores regionais, convocados para o dia 10 de agosto, "convencidos de que com eles o povo boliviano dará uma nova mostra de vontade democrática".
Neste contexto, Insulza destacou que também o convencimento de que a solução definitiva para a crise só será alcançada mediante o "diálogo sincero e generoso, e com a participação de todos".
A OEA, através de seu secretário de Assuntos Políticos, Dante Caputo, atua como mediadora no conflito boliviano e tenta impulsionar o diálogo entre o Governo e os governadores regionais da oposição. EFE cae/ma