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Lagos e açudes ameaçam transbordar em áreas arrasadas por terremoto na China

26/05 - 11:48 - EFE

Pequim, 26 mai (EFE).- O transbordamento de lagos e açudes diante da iminente chegada das chuvas transformou-se em uma nova ameaça para as operações de resgate e reconstrução após o terremoto do último dia 12, que deixou quase 89.

000 vítimas, entre mortos e desaparecidos, segundo os últimos números oficiais confirmados hoje.

Vários lagos foram formados após a obstrução dos rios pelo terremoto de 8,0 graus na escala Richter, que teve seu epicentro na província de Sichuan, e correm o risco de transbordar. As autoridades preparam planos que incluem o uso de dinamite para abrir vias por onde se possa descarregar a água.

No distrito de Beichuan, um dos mais afetados pelo terremoto, um grupo de policiais armados chegou a um remoto lago de Tangjiashan com várias dinamites, segundo informações da agência oficial "Xinhua".

Ao mesmo tempo, 15 escavadeiras foram enviadas ao lugar, com o objetivo de limpar o lago e cavar vias por onde se possa filtrar a água.

Além dos lagos, 69 represas que chegaram a sua capacidade máxima nas zonas mais devastadas pelo terremoto estão a ponto de arrebentar confirmou hoje o Ministério de Recursos Hídricos.

Os possíveis vazamentos das reservas diante da iminente chegada das chuvas prevista pela Administração Meteorológica ameaçam pelo menos 700.000 pessoas e até o momento mais de 100.000 foram evacuadas, afirmou a "Xinhua".

Segundo a última apuração oficial divulgada hoje, o número de mortos pelo tremor subiu para 65.080 e o de desaparecidos, para 23.150. Mais de 14,3 milhões de pessoas tiveram que ser evacuadas e cerca de 360.000 ficaram feridas.

O medo continua fazendo parte da vida dos mais de cinco milhões de sobreviventes que se aglomeram em tendas, estádios e refúgios móveis, devido a novos tremores que continuam a acontecer. O último deles foi registrado ontem, com 6,4 graus de magnitude no distrito de Qingchuan (Sichuan).

Oito pessoas morreram em conseqüência deste novo tremor e cerca de 1.000 ficaram feridas, segundo dados oferecidos hoje pela agência "Xinhua".

Duas das mortes ocorreram em Sichuan e as outras em províncias vizinhas: quatro em Gansu, duas em Shaanxi e uma em Chongqing.

Desde que aconteceu o terremoto e até hoje, registraram-se em Sichuan 182 novos tremores de mais de quatro graus de magnitude, dos quais 28 superaram os cinco graus e cinco deles, os seis.

Enquanto isso, as autoridades de Sichuan anunciaram hoje que farão algumas exceções na política do filho único para algumas famílias desabrigadas pelo terremoto, assim como para aquelas que adotam órfãos, publicou a imprensa local.

Entre elas, as famílias que perderam seu filho único por conta do tremor poderão ter outro.

Já as que adotarem uma criança que tenha ficado órfã em conseqüência do terremoto poderão ter um filho natural. Caso já o tenham, não precisarão pagar multa alguma.

O colapso generalizado de escolas nas zonas mais afetadas pelo terremoto, que o Governo está investigando após as denúncias generalizadas de má construção, deixou milhares de órfãos e famílias sem filhos.

Um dos casos mais trágicos foi o desabamento da Escola Secundária de Ensino Médio de Beichuan, inaugurada em 1998 e onde cerca de 1.300 crianças e professores morreram após sua destruição, que durou apenas alguns segundos.

Embora as equipes de resgate continuem procurando sobreviventes, o Politburo do Partido Comunista da China (principal órgão do Executivo) concordou hoje em reunião que "deveria dar mais importância ao realojamento das pessoas afetadas, à restauração da produção e à reconstrução".

"O país deveria manter o desenvolvimento econômico e a estabilidade social enquanto se ajuda nos trabalhos de assistência do terremoto. Os preparativos para os Jogos Olímpicos e os Paraolímpicos, de igual modo, devem andar juntos", lembrou o organismo. EFE cg/fh/plc




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