18/05 - 10:28 - EFE
WENCHUAN - Chegar a Wenchuan, o epicentro do terremoto que arrasou a China no último dia 12, continua sendo tarefa muito difícil, porém, em companhia dos milhares de soldados que viajam ao lugar para ajudar às vítimas, é possível entrar e ter uma idéia da dor e da destruição. O número de mortos em Sichuan e em províncias vizinhas pelo terremoto da segunda-feira passada supera os 32.477.
A estrada para Yinxiu, o povoado mais devastado do distrito (sete mil de seus dez mil habitantes morreram), está tomada por grandes pedras e automóveis sob os escombros, o que fez com que nos primeiros dias só fosse possível chegar lá de pára-quedas.
| AFP |
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| Mulher chora ao encontrar o corpo do marido |
O barco sobe o rio Min, que há mais de dois mil anos conserva o que é hoje a mais antiga obra hidráulica do mundo, um Patrimônio Mundial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que, da mesma forma que o resto da zona, ficou gravemente danificado.
No lugar de destino das lanchas militares, o ambiente é quase o de uma guerra. Tendas de campanha, milhares de soldados, e no ar, panfletos lançados de helicópteros dando ânimo aos recrutas e pedindo que se trabalhe ao máximo para salvar o país.
Junto aos soldados, dezenas de pessoas das montanhas que fogem dos deslizamentos de terra e que perderam tudo. "Minha mulher e meu filho morreram. Não sobrou ninguém, isto é muito cruel", diz com amargura Hui Lian, um dos "refugiados".
A maioria, no entanto, prefere não dizer uma palavra sobre o terremoto, porque só se lembram de um pânico geral e da perda de seus entes queridos.
Lá, centenas de soldados fazem uma longa caminhada pelas encostas do monte, passando por pontes caídas, estradas partidas pela metade e por refugiados que fazem o caminho inverso.
O chefe da tropa nunca lhes deixa descansar: "Não parem", grita para os que ficam para trás.
Finalmente, após uma hora ou duas de caminhada, aparece, ainda que distante, Yinxiu, ou o restante desta antiga base de turismo na montanha.
Logo depois, onde já não é possível entrar, vê-se o instituto local, não totalmente derrubado, mas inclinado mais de 50 graus em direção ao solo.
No resto da região, que tinha dez mil habitantes e na qual se calcula que morreram mais de sete mil pessoas, se repete a cena vista em cidades maiores como Beichuan: ruas inteiras que agora são pilhas de vigas e escombros, e poucos edifícios, que estão inclinados de forma perigosa para o lado.
"Cerca de 60% de tudo estão destruídos, e o que ficou de pé é preciso derrubar", diz à Efe um responsável pela avaliação de danos do Centro Sismológico Nacional.
Alguns moradores, muitos deles de etnia tibetana, não hesitam em subir nos escombros das casas menores para buscar o pouco que ficou inteiro, mas ninguém se atreve a entrar nos edifícios, com medo de cair.
"Ontem (sexta-feira), quando chegaram os soldados, tudo estava cheio
| AFP |
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| Voluntários descansam durante resgate |
Clique na imagem e veja o infográfico sobre o terremoto na China
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