16/05 - 16:24, atualizada às 19:26 16/05 - Redação com agências internacionais
Os gritos dos sobreviventes que surgiam nesta sexta-feira dos escombros serviam para lembrar que se esgota o tempo para salvá-los e evitar que o já terrível saldo de mortos do terremoto que atingiu o sudoeste da China - que já chega a 22.069 mortos, segundo a agência oficial Nova China - aumente ainda mais. Estima-se que 4,8 milhões de pessoas estejam desabrigadas.
As primeiras equipes de resgate estrangeiras chegaram à área do desastre para ajudar na frenética e cada vez mais desesperada busca pela vida entre as montanhas de ruínas que antes do terremoto eram casas, escolas, fábricas - cidades inteiras.
Acompanhados por cães farejadores e equipamentos especiais, esses especialistas estrangeiros - japoneses, russos, sul-coreanos e cingapurianos - são os primeiros aceitos por Pequim para ajudar em um desastre natural.
"Os trabalhos de resgate do terremoto entraram em sua fase mais importante", disse o presidente Hu Jintao depois de chegar a Mianyang, uma das cidades mais afetadas pelo tremor de 7,9 graus na escala Richter.
"O desafio ainda é grande, a tarefa é árdua e o tempo está acabando", continuou, de acordo com a agência oficial de notícias Nova China.
A magnitude do terremoto - que foi sentido em lugares distantes como a Tailândia e o Vietnã - fica mais evidente à medida que os socorristas vão alcançando zonas remotas isoladas pelos deslizamentos de terra.
O saldo oficial de mortos era de 22.069, mas as autoridades de Sichuan, província mais devastada, lembravam que ainda há cerca de 14.000 pessoas soterradas.
| Reuters |
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Mulher chora nos escombros da escola onde sua filha estava
Além disso, a televisão pública, citando os coordenadores nacionais de assistência, disse que as estimativas já dão conta de mais de 50 mil mortos, além dos 4,8 milhões de desabrigados, segundo as autoridades de Sichuan.
Resgates milagrosos
Alguns milagres ainda acontecem em meio à paisagem desoladora, como o menino resgatado com vida nesta sexta-feira dos escombros de sua escola em Beichuan, quase 100 horas depois do tremor.
A Nova China explicou que mais vozes ainda podiam ser ouvidas pedindo ajuda.
"A chance de resgatarmos aqueles que estão soterrados é muito grande", disse um trabalhador. "'Desistir' não faz parte de nosso vocabulário".
Em Yinghua, um homem foi retirado vivo das ruínas, após ter tido um braço e uma perna amputados.
Cada vez mais, no entanto, o que as equipes de socorro içam em meio aos escombros são cadáveres, que criam mais um problema nas localidades onde nada ficou de pé.
Em Mianyang, 10 mil pessoas perderam suas casas e foram, provisoriamente, acomodadas em um estádio esportivo, onde procuram, com ansiedade, parentes e amigos nas listas de sobreviventes.
Dos milhares de edifícios destruídos, cerca de 7 mil eram escolas, cujos pisos racharam e engoliram os estudantes nas salas de aula.
| AFP |
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| Criança espera ajuda em ginásio esportivo em Mianyang |
Novos tremores secundários foram registrados nesta sexta-feira na China, próximo do epicentro do terremoto de 7,8 graus ocorrido na segunda-feira. O mais recente tremor de terra causou deslizamentos, que soterraram veículos e perturbaram os trabalhos de resgate, informou a agência de notícias estatal Xinhua.
Até a madrugada desta sexta-feira, a região de Sichuan já sofreu pelo menos 122 tremores secundários que atingiram mais de quatro graus, sendo que um deles marcou 5,9 na escala Richter.
Os prejuízos estimados no desastre já passam de US$ 20 bilhões. Até agora, mais de 22 mil mortes foram confirmadas, mas acredita-se que o número pode chegar a 50 mil.
O presidente chinês, Hu Jintao, visitou nesta sexta-feira o vilarejo de Mianyang, no condado de Wenchuan. A área é a mais atingida pelo terremoto, que é considerado "a pior catástrofe natural" da China.
(*Com informações da agência AFP e da BBC Brasil)
Clique na imagem e veja o infográfico sobre o terremoto na China
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