A Sérvia realiza eleições legislativas e municipais neste domingo nas quais os eleitores decidirão se aproximar ou dar as costas à União Européia, após o trauma que a maioria sérvia sofreu com a perda da província de Kosovo.
Mais de 6,7 milhões de eleitores foram convocados a votar nestas eleições consideradas as mais importantes para o futuro do país desde a queda do regime autoritário de Slobodan Milosevic há oito anos.
Os sérvios parecem conscientes da importância destas eleições já que a participação nas urnas nesta manhã, até as 10h00, horário local, chegava aos 10%, apenas três horas após o início da votação.
"Um número sem precedentes", comentou um porta-voz do Centro para a Democracia e Eleições Livres (CESID) que supervisiona as eleições.
Nesta votação as forças pró-européias enfrentam os ultranacionalistas pró-russos.
Os ultranacionalistas do Partido Radical Sérvio (SRS), que as pesquisas apontam com 34% das intenções de voto, superam somente por um ponto a aliança pró-européia formada pelo Partido Democrata (DS) do presidente Boris Tadic.
"Estou completamente convencido de que o povo sérvio votará por um futuro europeu", disse Tadic depois de ter votado.
O presidente reafirmou sua oposição à independência de Kosovo, postura que compartilha com a maioria dos políticos sérvios.
"Com a União Européia não negociaremos, contanto que reconheça a Sérvia em sua integridade", ou seja, inclusive Kosovo, afirmou o chefe do SRS, Tomislav Nikolic.
As eleições foram convocadas para resolver a crise política que a Sérvia enfrenta desde março devido às profundas divergências entre pró-europeus e nacionalistas relativas às relações com a UE depois que a independência de Kosovo foi proclamada em 17 de fevereiro.
O primeiro-ministro sérvio, o nacionalista Vojislav Kostunica, rompeu sua aliança há dois meses com os pró-europeus, que apesar de também se oporem à independência do Kosovo seguem favoráveis a aproximação com a UE, enquanto que Bruxelas apóia os kosovares.
O governo de Belgrado deseja mostrar que Kosovo continua sendo sua província e por isso chamou os sérvios residentes desse território de maioria albanesa para participar das eleições deste domingo.
As autoridades kosovares e a missão da ONU que administra Kosovo desde o final da guerra de 1998-1999 classificaram a iniciativa de "ilegal".
O resultado desta eleição é bastante incerto.
Nem os pró-europeus nem os ultranacionalistas conseguirão alcançar a maioria absoluta e a formação de um novo governo será longa e complicada.
A UE deu um impulso aos pró-europeus ao assinar na semana passada com Belgrado o Acordo de Estabilização e Associação (ASA), primeiro passo para a adesão da Sérvia ao bloco.
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