08/05 - 19:05, atualizada às 22:54 08/05 - Redação com agências internacionais
NAÇÕES UNIDAS - A ONU estimou, nesta quinta-feira, que 1,5 milhão de pessoas tenham sido 'severamente afetadas' pelo ciclone Nargis em Mianmar, e os Estados Unidos demonstraram indignação com a demora das autoridades em permitir ajuda. Pelo menos 80 mil pessoas perderam a vida apenas no distrito birmanês de Labutta, no extremo sul do país, informou hoje um oficial da Junta Militar.
Sobreviventes desesperados imploram por comida, água e outros mantimentos, quase uma semana depois do vendaval e do maremoto que podem ter matado cerca de 100 mil pessoas nos arrozais e aldeias do delta do rio Irrawaddy.
'Estamos ultrajados com a demora na reação do governo da Birmânia [Mianmar] em dar as boas-vindas e aceitar a assistência', disse a jornalistas o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Zalmay Khalilzad.
'Está claro que a capacidade do governo em lidar com a situação, que é catastrófica, está limitada', acrescentou.
Ajuda começa a chegar
| AFP |
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| Milhares de casas foram destruídas com a passagem do ciclone em Mianmar |
O primeiro avião da ONU, uma aeronave do Programa Mundial de Alimentos (PMA), aterrissou hoje em Yangun, com itens urgentes para os sobreviventes da catástrofe, informou a FAO, o organismo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.
O governo norte-americano está 'totalmente preparado para ajudar e ajudar imediatamente, e será uma tragédia se esses produtos forem desperdiçados', segundo o secretário de Defesa Robert Gates.
A Marinha despachou o destróier USS Mustin e a Força Expedicionária de Ataque Essex, com mais três barcos, do golfo da Tailândia.
O responsável pelos Assuntos Humanitários das Nações Unidas, John Holmes, declarou-se "decepcionado" com as autoridades de Mianmar, já que elas "não negaram o ingresso (das equipes humanitárias estrangeiras), mas não facilitaram a entrada".
Segundo as organizações humanitárias, a ajuda chega, pouco a pouco, de Tailândia, China e Índia. A Grécia também anunciou haver conseguido autorização birmanesa para enviar um avião com material de primeiros socorros. Ainda assim, a ajuda é insuficiente e chega muito lentamente para assistir a toda a população afetada.
O auxílio internacional começa a reforçar as equipes humanitárias que já se encontravam no local durante a catástrofe. A ONU pediu ainda que a junta militar autorize a entrada de uma centena de especialistas, principalmente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Mianmar está localizada no sudeste asiático
Referendo dos militares
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse estar buscando contatos diretos com o líder da junta militar de Mianmar, Than Shwe, para convencê-lo a facilitar o acesso. Uma porta-voz da ONU disse que Ban consideraria 'prudente' por parte do governo local adiar o referendo constitucional marcado para sábado.
O partido da opositora birmanesa Aung San Suu Kyi pediu nesta sexta-feira (hora local) ao regime militar que adie o referendo constitucional, previsto para acontecer sábado na maioria das regiões do país, apesar da devastação causada pela passagem do ciclone Nargis, que matou milhares de pessoas.
"Com essa situação, não é o momento apropriado para realizar um referendo", disse à AFP Nyan Win, porta-voz da Liga Nacional para a Democracia (NLD), de Suu Kyi.
Alguns críticos acusam a junta de adiar as autorizações para evitar um afluxo de estrangeiros no interior do país durante o referendo sobre a Constituição, escrita pelo Exército para consolidar ainda mais o poder nas mãos dos militares, que já governam a antiga Birmânia há 46 anos.
(*Com informações das agências Reuters e AFP)
Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação dos ciclones

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