18/04 - 17:26 - Redação com BBC
SÃO PAULO - O Tibete vem sendo palco de protestos contra os mais de 50 anos de domínio chinês. No dia 10 de março, monges realizaram uma passeata para lembrar os 49 anos de um levante tibetano. A notícia que eles haviam sido presos pela polícia chinesa gerou uma onda de protestos que se tornou a maior e mais violenta dos últimos 20 anos. Segundo o governo exilado tibetano, mais de 100 pessoas morreram em pelo menos duas semanas de confrontos. Já o número do governo chinês não chega a 30.
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| Premiê chinês gesticula durante discurso |
Muitos tibetanos querem a independência de volta, e daí os protestos.
O que detonou os últimos protestos?
As manifestações começaram no dia 10 de março, exatamente 49 anos depois que os tibetanos encenaram um levante contra o poder chinês. Houve demonstrações em vários países e monges do monastério de Drepung, nas cercanias da capital Lhasa, também aderiram ao movimento. Os protestos logo ganharam a adesão dos tibetanos.
Fatores econômicos também desempenham um papel importante. Muitos tibetanos dizem que um número crescente de imigrantes chineses da etnia majoritária han chegam à região e conseguem os melhores empregos. Eles acreditam estar excluídos dos benefícios dos avanços econômicos desfrutados por outras províncias costeiras da China e dizem sofrer com os efeitos da crescente inflação no país.
Os dois lados serão capazes de resolver as diferenças?
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| O Dalai Lama, durante entrevista na Índia |
Esta é uma pergunta difícil de responder. O domínio chinês sobre a província de Xinjiang, no oeste do país, é tão controverso quanto o do Tibete, mas não conta com a mesma notoriedade. Talvez uma das razões pelas quais os ocidentais saibam sobre os problemas do Tibete é por causa do Dalai Lama.
Desde que fugiu do Tibete depois do fracasso do levante, em 1959, o líder espiritual dos tibetanos viajou o mundo para advogar por mais autonomia para sua terra natal, sempre enfatizando que não defendia a violência. Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1989.
Haverá novos protestos?
Provavelmente. A causa fundamental dos protestos não foi solucionada, então a tensão persiste.
Os manifestantes tibetanos parecem determinados a mostrar seu ponto de vista enquanto todas as atenções estão voltadas para a China no ano das Olimpíada.
Eles querem protestar contra o que eles vêem como uma violação dos direitos humanos por parte da China e querem mais liberdade, tanto política quanto religiosa, na região.
Os governantes chineses certamente não querem nenhum derramamento de sangue a apenas cinco meses do início dos Jogos Olímpicos, e vão tentar evitar qualquer situação que lembre o que aconteceu em Mianmá em 2007.
Por outro lado, eles não querem dar espaço aos monges e a outros manifestantes por medo de que isso seja interpretado como um sinal de fraqueza e acabe levando a mais protestos.
| A província do Tibete está marcada em preto Reprodução/Google Maps |
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