25/03 - 11:17 - Luiz Raatz e Gabriella Cartaxo
SÃO PAULO -A Itália volta às urnas nos próximos dias 13 e 14 de abril para eleger novos representantes para o Parlamento, dissolvido em fevereiro após a renúncia do premiê Romano Prodi. Cidadãos italianos, nascidos ou não no país, também votam na eleição. Nação com o maior número de descendentes de imigrantes, o Brasil conta com 200 mil eleitores aptos a votar. Eles têm até o dia 10 de abril para escolher seus candidatos.
Os eleitores devem receber as cédulas dos consulados pelo correio até o dia 26. O voto é facultativo. É preciso ter mais de 18 anos para votar em um deputado e mais de 25 para escolher um senador. Toda a pessoa com cidadania italiana cadastrada nas listas eleitorais pode votar. Depois de preencher a cédula, o eleitor tem de remetê-la de volta para o consulado. Quem não tiver recebido a cédula pelo correio, deve procurar uma representação diplomática.
De acordo com o Consulado Geral da Itália em São Paulo, o Parlamento italiano tem 12 cadeiras na Câmara e outras seis no Senado destinadas a representantes escolhidos por eleitores residentes em países estrangeiros, sejam eles descendentes de italianos ou residentes. O Parlamento é composto por 314 senadores e 630 deputados.
As vagas são distribuídas conforme a região do mundo e o número de eleitores em cada colégio eleitoral. O maior dos colégios fora da Itália fica na Europa, onde votam 2 milhões de pessoas. As Américas do Sul e do Norte – destino de 3,8 milhões de imigrantes italianos entre 1870 e 1914 – vem em seguida, com 885 mil e 403 mil votantes, respectivamente.
O Brasil está no colégio eleitoral da América do Sul, que elege três deputados e dois senadores. No total, são 28 candidatos a senadores e 42 a deputado. Nove brasileiros concorrem ao Senado e 15 querem as vagas na Câmara.
Voto decisivo
Em 2006, Prodi conseguiu a maioria parlamentar para se tornar primeiro-ministro graças aos votos obtidos pela sua coalizão no exterior. Esta foi a primeira vez na qual descendentes de italianos votaram. O governo do premiê caiu em fevereiro, após a renúncia ministro da Justiça, Clemente Mastella, envolvido em denúncias de corrupção. Com isso, o partido do ministro, o Democrata Cristão, deixou o governo. Prodi perdeu a maioria que tinha no Senado, o que abriu caminho para a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições.
Desta vez, o voto dos parlamentares eleitos fora da Itália pode ser novamente decisivo. A instabilidade que domina a vida política italiana torna cada parlamentar crucial na briga entre o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, liderado pelo prefeito de Roma, Walter Veltroni, e a coligação Povo da Liberdade, do ex-premiê e dono do Milan, Silvio Berlusconi. Ambos são "candidatos" a primeiro-ministro. Quem obtiver maioria no Parlamento será o escolhido.
“Existe um equilíbrio muito grande entre as duas coligações, esquerda e direita. Nesta situação, é claro que os 18 parlamentares eleitos no exterior podem ser determinantes para a maioria no parlamento”, diz Fabio Porta, candidato a deputado pelo PD.
O senador Edoardo Pollastri, que concorre à reeleição pelo mesmo partido, também vê um peso decisivo na eleição dos parlamentares escolhidos fora da Itália. “Esses votos podem ser muito importantes, pois ajudam a formar o governo”, afirma. “Eu vejo que a crise começou desde o início, pois Prodi tentou uma solução quase milagrosa, reunindo desde o centro até a esquerda radical. Foi difícil conviver com todas essas posições ideológicas tão distintas”, acrescenta, sobre o governo de Prodi.
A Itália tem representações diplomáticas em seis capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Recife.
Mais informações:
Consulado Geral da Itália em São Paulo: 11-3549-5643
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