Havana, 24 mar (EFE).- O ex-presidente cubano Fidel Castro afirma, em artigo publicado hoje, que os 75 dissidentes condenados sumariamente na ilha há cinco anos estavam "vendendo a pátria" e operando a serviço dos Estados Unidos, e ataca mais uma vez o presidente americano, George W.
Bush.
"Na terça-feira, 18 de março, completou-se cinco anos da detenção de mais de 70 'vende-pátrias', líderes de quinta-coluna do imperialismo em Cuba que, patrocinados pelo Governo dos EUA, violam as leis do país e compartilham a tese de que esse rincão do mundo deve ser varrido do mapa", diz Fidel.
"Um porta-voz do departamento de Estado chamou o fato de 'primavera negra', um termo de conotação racista. Poderíamos chamá-la de 'primavera branca'. Não existe escuridão no espaço, mas nas mentes", acrescenta Fidel.
No dia do quinto aniversário das detenções, houve protestos em vários países e foram divulgadas mensagens de apoio à liberdade dos dissidentes, inclusive uma do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.
"Continuaremos apoiando o povo cubano para exigir que o Governo respeite as liberdades fundamentais", disse Bush.
"Que enorme diferença entre os métodos do Governo dos EUA e os de Cuba! Nenhum dos mercenários foi torturado nem privado de advogado ou julgamento", afirma Fidel.
"Eles têm direito a visitas, acesso ao pavilhão familiar e demais prerrogativas como todos os reclusos, e se em algum momento o quadro de saúde deles se agravar seriamente, serão postos em liberdade sem que as exigências do imperialismo e de seus aliados determinem absolutamente nada", acrescenta.
Dentre os detidos cinco anos atrás, 20 foram libertados por razões de saúde, entre eles quatro que viajaram à Espanha em fevereiro, pouco antes que Fidel renunciasse à Presidência de Cuba e seu irmão, Raúl, fosse eleito em substituição a ele.
"A Revolução exige respeito, e não perdão à soberania", diz o artigo.
O novo artigo de Castro, intitulado "Bush no céu II", é o décimo em pouco mais de um mês a criticar o presidente americano, e também lembra o quinto aniversário dos conflitos no Iraque.
"Ao completarem-se na quarta-feira, dia 19 de março, cinco anos da estúpida guerra no Iraque, Bush lança mão de uma declaração, fictícia ou real de Bin Laden", escreve o ex-presidente cubano.
"Ninguém nunca tirou tanto proveito de tais materiais para moldar a opinião dos cidadãos dos EUA e de muitos outros países do mundo com cultura e crenças similares para justificar as brutais e genocidas guerras de que o imperialismo tanto necessita", acrescenta.
Fidel também escreve que o vice-presidente americano, Dick Cheney, conversou neste fim de semana "com o Rei Abdullah, da Arábia Saudita, para obter sua cooperação e a da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no fornecimento de petróleo".
"Na realidade, não pode existir guerra sem petróleo, nem petróleo sem guerra", continua Fidel.
O cubano também se refere ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao dizer que sua "lua-de-mel com o eleitorado terminou há poucos dias". EFE am/wr/gs