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Bush diz que mortes de soldados têm "estabelecido as bases para a paz"

24/03 - 18:04, atualizada às 19:57 24/03 - Redação com agências internacionais

WASHINGTON - As mortes de quatro mil soldados americanos no Iraque têm "estabelecido as bases da paz para gerações vindouras", afirmou hoje o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

 

Após participar, no Departamento de Estado, de uma sessão informativa sobre a situação no país árabe e os esforços diplomáticos dos EUA no mundo, o presidente afirmou que se esforçará em garantir que a guerra tenha como saldo "um resultado digno do sacrifício" daqueles que morreram no conflito.

"Espero que suas famílias saibam que os cidadãos rezam pelo seu bem-estar", acrescentou o presidente.

Anteriormente, sua porta-voz, Dana Perino, afirmou que não passa um dia sem que Bush se lembre dos falecidos na guerra.

O presidente, explicou Perino, "acredita que cada vida é preciosa e todo dia pensa naqueles que perderam a vida no campo de batalha".

"Ele carrega a responsabilidade das decisões que tomou. Também carrega a responsabilidade de continuar centrando na busca do êxito", afirmou Perino.

Bush participou hoje de uma videoconferência com o comandante das tropas americanas no Iraque, o general David Petraeus, e o embaixador dos EUA em Bagdá, Ryan Crocker, para escutar sua análise sobre a situação.

Além da sessão informativa de hoje, o presidente irá na quarta-feira ao Pentágono para participar de outra sobre a situação no Iraque e "firmar bases para futuros cortes dos níveis de tropas".

Petraeus deve discursar perante o Congresso entre 8 e 9 de abril e Bush poderia anunciar alguma decisão sobre os níveis de tropas depois desse discurso.

É esperado que Petraeus recomende desistir, por enquanto, das reduções de tropas assim que terminar as já anunciadas, que deve reduzir, para junho, o número de soldados no Iraque de 158 mil a 132 mil.

O objetivo dessa pausa seria avaliar o efeito da redução, e se o resultado for positivo, acredita-se que Bush poderia ordenar novos cortes a partir de setembro e até o fim de seu mandato, em janeiro do próximo ano.

Soldados expostos

O número de soldados americanos mortos no Iraque desde a invasão de 2003 superou 4 mil, após os últimos episódios de violência no domingo, nos quais 57 iraquianos morreram. Quatro soldados foram mortos após a explosão de uma bomba em uma estrada do país, a causa mais comum de fatalidades entre os soldados americanos.

Mais de 40 mil homens ficaram feridos seriamente em combates ou acidentes a ponto de terem de ser removidos por ar.

Os números são um amargo lembrete para as autoridades americanas, em meio a uma redução no número de mortos no Iraque desde meados do ano passado.

O repórter da BBC em Bagdá Hugh Sykes disse que o nível de exposição dos soldados americanos em operações no Iraque mudou nos cinco anos de invasão americana.

"Quando a ocupação começou, os soldados estavam minimamente protegidos. Eles viajavam em veículos cobertos e equipados com metralhadoras", afirmou o repórter. "Mas isto mudou."

Em 2004 um homem-bomba conseguiu entrar em uma tenda e matou 22 pessoas, incluindo 13 soldados americanos e diversos outros prestadores de serviço.

"Agora as áreas de dormir e comer estão rodeadas de muro anti-explosões e tetos de aço para despistar morteiros", disse o repórter.

Tropas que fazem patrulha a pé estão especialmente vulneráveis a ataques, e o Exército teve de instalar proteção de aço e vidro à prova de balas para evitar a perda de atiradores postados em veículos armados.

Melhora

A marca das 4 mil mortes de soldados no Iraque é superada no momento em que o governo americano ressalta a redução no número de civis mortos no país.

Levantamentos mostram que a violência vem diminuindo no Iraque desde junho do ano passado, quando 30 mil soldados adicionais foram enviados para as áreas de maior risco.

Mas os atentados do domingo, que deixaram pelo menos 60 mortos, demonstram a fragilidade e a natureza reversível das melhora recente na segurança, segundo analistas.
 
          Bush expressa "profundas condolências" às famílias de soldados mortos



No ataque mais grave, um extremista suicida dirigindo um caminhão tanque carregado de explosivos se chocou contra uma base militar do Exército iraquiano, causando uma enorme explosão e matando 13 soldados em Mosul, norte do país. Pelo menos 40 pessoas ficaram feridas no ataque.

Comandantes americanos acreditam que Mosul seria o último reduto urbano da Al-Qaeda no Iraque.

Quinze pessoas foram mortas em Bagdá, em ataques com foguetes Katyusha contra a Zona Verde, de segurança máxima, onde ficam o Parlamento iraquiano e as embaixadas dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.

Ainda na capital, pelo menos sete pessoas foram mortas em um mercado, quando homens que viajavam em três carros atiraram contra a multidão.

(*Com informações da Efe e BBC)

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