Argel, 23 mar (EFE).-A Fundação Kadafi, presidida por Seif El Islam, filho do líder líbio, Muammar al-Kadafi, afirmou hoje não estar nem nunca ter estado em contato com os seqüestradores dos dois reféns austríacos, que foram seqüestrados no dia 22 do mês passado na Tunísia, por uma facção da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI).
Em comunicado distribuído à imprensa em Trípoli, esta Fundação confirmou haver recebido algum pedido de lançar o papel de intermediário em relação aos seqüestradores, mas que até agora ninguém estabeleceu contato com eles.
Ontem, o líder da extrema direita austríaca, Jörg Haider, amigo pessoal do filho de Kadafi, indicou que este teria contatado os seqüestradores, que se encontram refugiados na região de Kidal, no Mali, e que estava muito otimista sobre uma possível libertação de prisioneiros.
Haider disse que se tratava de uma iniciativa "secreta e pessoal" do filho do líder líbio.
No entanto, a nota de imprensa emitida pela fundação assegura que "não foi feita nenhuma tentativa de manter contatos diretos ou indiretos com os seqüestradores, apesar dos requerimentos feitos à Fundação e ao seu presidente".
Por sua parte, o diário argelino em língua árabe "Annahar" revelou em sua edição de hoje, que Seif El Islam teria estabelecido contatos com a tribo tuareg dos Barbiche, que controla a região onde se encontram escondidos os seqüestradores.
Também revelou que esta tribo demonstrou ser fiadora do eventual acordo de libertação dos dois reféns e se comprometeu a detê-lo após sua libertação.
Por sua vez, o porta-voz do Ministério de Exteriores austríaco, Peter Launsky, declarou hoje ao mesmo jornal, que as negociações progrediam e que esperava uma rápida solução do seqüestro.
No entanto, expressou a inquietação de seu país com os enfrentamentos entre os rebeldes tuaregues e as tropas regulares do Mali, que poderiam interferir nas negociações, por isso tinha pedido a "todas as partes influentes da região", a fazer todo o possível para que o ultimato dado pelos seqüestradores possa ser prolongado caso não sejam alcançados resultados positivos antes de sua expiração.
O ultimato fixado pela AQMI prolongado pela primeira vez no dia 13 de março, expira hoje à meia-noite, e os seqüestradores tinham ameaçado executar os reféns se o Governo austríaco não satisfizesse suas reivindicações. EFE sk/bf