20/03 - 03:09 - EFE
Phnom Penh - O tribunal internacional organizado pela ONU e pelo Camboja para julgar o genocídio cambojano decidiu hoje que o ideólogo do Khmer Vermelho Nuon Chea deverá permanecer preso, até ser julgado pelos crimes de genocídio e contra a humanidade.
O painel de cinco juízes negou a solicitação de liberdade condicional dos advogados de Nuon Chea, de 82 anos, que argumentaram que sua detenção "viola o direito internacional".
Nuon Chea considerado o "número dois" dos Khmer Vermelho, foi detido em setembro do ano passado em sua casa na cidade cambojana de Pailin, antigo reduto do Khmer Vermelho, onde residia como homem livre desde que trocou as armas pelo perdão governamental em 1999.
Segundo os promotores responsáveis pelo caso, Nuon Chea dirigiu e controlou os corpos de segurança durante o tempo em que o Khmer Vermelho governou o Camboja, de abril de 1975 até janeiro de 1979, e cometeu, além dos citados delitos, crimes de guerra, assassinato, tortura, encarceramento arbitrário e escravidão.
Nuon Chea é um dos cinco ex-dirigentes do Khmer Vermelho detidos por este tribunal.
O tribunal internacional, integrado por juízes estrangeiros e cambojanos escolhidos pelas Nações Unidas, com a aprovação do Governo do Camboja, dispõe de um orçamento de US$ 56 milhões, que solicitaram que se aumente para US$ 114 milhões.
Cerca de 500 vítimas do regime do Khmer Vermelho prestaram depoimento aos promotores.
Cerca de 1,7 milhão de pessoas morreram por causa da crise de fome, doenças e expurgos decretados pela organização dirigida por Pol Pot, o "irmão número um" do Khmer Vermelho e primeiro-ministro, que morreu na selva cambojana em 1998.
Leia mais sobre: Khmer Vermelho
Publicidade
Ex-chefe do Khmer Vermelho é levado ao centro de interrogatórios que comandou