Havana, 18 mar (EFE).- A julgar por seus últimos escritos, o ex-presidente cubano Fidel Castro, que passou o comando executivo a seu irmão Raúl no dia 24 de fevereiro, dedica boa parte de seu tempo lendo matérias de agências internacionais e seguindo noticiários de televisão.
Sua última coluna, divulgada hoje pelos meios de comunicação da ilha, todos estatais, menciona cerca de quarenta entrevistas de agência e meios de comunicação como "CNN", "Financial Times", "BBC", "ANSA", "EFE" e "DPA".
A maioria de seus textos mais recentes faz muitas referências ao noticiário internacional - em especial ao criticar os Estados Unidos - e muito poucos à realidade cubana.
Até agora, nada foi dito oficialmente em relação ao outro cargo que ocupa - o de primeiro-secretário do poderoso Partido Comunista de Cuba, o único permitido na ilha - no qual seu irmão mais novo continua sendo "segundo secretário".
Fidel Castro não aparece em público desde julho de 2006, quando foi operado por uma doença intestinal, mas mantém seu contato quase cotidiano com os cubanos por meio de suas colunas intituladas "Reflexões", muitas delas tão longas como seus famosos discursos.
As duas publicações anteriores, nas quais atacava o "império" e seu presidente, George W. Bush, receberam o título de: "Sede de Sangue (I)" e "Sede de Sangue (II)" e algumas dessas publicações chegaram até o número "IV" - como algumas séries de Hollywood de Sylvester Stallone ou Arnold Schwarzenegger, com títulos parecidos.
A desta terça-feira, "A viagem triunfal", foi dedicada às recentes visitas ao Iraque do vice-presidente americano, Dick Cheney, e do candidato republicano à Casa Branca, John McCain, quem Fidel qualifica de "discípulo" do primeiro.
"A agências internacionais transmitiram rápido. As notícias não são risíveis, mas sim irônicas", começa a nota editorial que prossegue descrevendo a reunião feita com "todo tipo de chefes treinados na arte de matar".
A recopilação de entrevistas de agências de notícias e meios de comunicação internacionais mostra o contraste entre o que diz o Governo americano e a realidade no Iraque, com atentados suicidas que deixam dezenas de mortos, violações dos direitos humanos e as penúrias dos habitantes desse país.
"Com estes dados, que aumentam a toda hora, foi ou não uma viagem triunfal?", termina a coluna.
Fidel chamou a atenção para o fato de que nenhuma das agências "capitalistas" de notícias tenha publicado matérias em relação ao ex-guerrilheiro Pedro Pablo Montoya, que assassinou um chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para receber a recompensa de US$ 2,6 milhões, oferecidos pelo governo da Colômbia.
O ex-líder, no entanto, não havia escrito nada próprio sobre Montoya, que aparece em sua coluna apenas em uma citação do diário "El Mercurio", de Santiago do Chile, com o título "Desertor adverte que líder das Farc poderia ser assassinado". EFE am/fb