14/03 - 17:03, atualizada às 17:14 14/03 - Redação com agências internacionais
TEERÃ - Os colégios eleitorais em Teerã fecharam às 23h (16h30 de Brasília), e uma hora antes no resto das províncias iranianas, onde já começou a apuração de votos, anunciou a televisão estatal do país.
A votação para as eleições gerais iranianas, que começaram às 8h (1h30 de Brasília) e deveria ter terminado dez horas mais tarde, foi prolongada por cinco horas na capital e quatro no resto do país.
Os responsáveis pela supervisão do processo, todos locais, afirmaram que "houve uma enorme participação", avaliada em 60% dos 43 milhões de eleitores iranianos.
Os mais de 45.000 colégios eleitorais nas 30 províncias iranianas abriram às 8h (1h30 de Brasília) para as eleições parlamentares, nas quais mais de 43 milhões de iranianos estão convocados a escolher os 290 deputados da nova câmara.
A um ano da eleição presidencial, os eleitores escolherão 290 novos deputados. De um lado está uma coalizão reformista liderada pelo ex-presidente Mohammed Khatami. Do outro, ficam os aliados conservadores do atual líder persa, Mahmoud Ahmadinejad.
Em dezembro, 21 partidos moderados firmaram uma aliança para enfrentar os partidários do atual presidente, cujo mandato termina em 2009. Os conservadores dominam atualmente 54% do Parlamento iraniano. Desde dezembro, Khatami, que foi presidente entre 1997 e 2005, tem aparecido em uma série de eventos públicos após uma ausência de quase dois anos da cena política iraniana. Partidos aliados de Ahmadinejad estão reunidos na Frente Unida dos Conservadores. Ainda há outros dois partidos com assento no Parlamento: o Independente e o Partido da Confiança Nacional.
Reformistas em baixa
Os reformistas, no entanto, devem ter um papel menor nesta eleição. Eles concorrem apenas a 90 dos 290 distritos após uma série de impugnações promovidas pela Justiça Eleitoral do Irã. Membros da oposição acusam o governo de barrar candidaturas reformistas. Representantes do ministério do Interior alegam que as impugnações podem ser contestadas na Justiça iraniana. Mais de 2 mil candidatos tiveram as candidaturas impugnadas desde janeiro. Os 7168 candidatos são investigados pela polícia, pelos serviços de inteligência e pelo poder Judiciário. Destes, 4.476 vão concorrer.
Assim, analistas acreditam que o panorama político iraniano não deve mudar. As eleições presidenciais acontecem em 2009 e Ahmadinejad deve concorrer a um novo mandato.
"Qualquer que seja o resultado, não deve afetar muito a posição do governo", afirmou à BBC Brasil o analista político Ali Ansari, especialista em Irã da universidade britânica de St. Andrews. "Essas eleições não são livres ou democráticas."
"As eleições legislativas não são um teste de popularidade para Ahmadinejad", disse à AFP Khahangir Karami, professor de Ciências Políticas da Universidade de Teerã.
Isso acontece principalmente porque os candidatos do partido do presidente, o "Doce Perfume do Servir", fazem parte da principal coalizão conservadora, a "Frente Unida dos Defensores dos Princípios".
Não foi o caso das eleições municipais de dezembro de 2006, quando o partido do presidente se apresentou sozinho, concorrendo com as outras formações conservadoras e reformadoras.
O Irã é acusado por vários países ocidentais, principalmente pelos Estados Unidos, de usar seu programa de enriquecimento de urânio como fachada para a construção de armas, coisa que o governo iraniano nega.
(*Com informações da AFP, Efe, BBC e reportagem de Luiz Raatz)
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