Eduardo Davis Brasília, 13 mar (EFE) - A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, ratificou hoje no Brasil o "compromisso" dos Estados Unidos com a Colômbia na "luta contra o terrorismo" e sua "esperança" de que nenhum país sul-americano servirá de refúgio às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "As fronteiras são importantes, mas não podem ser usadas como esconderijos para matar inocentes", afirmou, em referência à recente incursão militar colombiana no Equador, na qual morreu mais de 20 pessoas, entre elas um dos líderes das Farc, "Raúl Reyes". Em entrevista coletiva junto ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Rice disse que os Estados Unidos "apreciam os esforços para promover a reconciliação e reduzir as tensões" registradas na Organização dos Estados Americanos (OEA), mas deu a entender que a Casa Branca não acredita que os conflitos tenham sido superados. A secretária americana insistiu em que não se pode baixar a guarda em assuntos como "terrorismo e segurança", e pediu que "os países não sejam ameaçados, nem de dentro, nem de fora". Sobre o alívio observado na região após o acordo alcançado na recente Cúpula do Grupo do Rio, na qual Equador, Colômbia, Venezuela e Nicarágua deram um passo para minimizar as tensões, expressou sua confiança em que isso ocorra, mas demonstrou dúvidas. Segundo ela, "alguns países", em aparente alusão a Venezuela e Equador, se comprometeram a "evitar que os terroristas usem seu...
A chefe da diplomacia americana evitou se referir ao papel da Venezuela na crise diplomática e também não especificou se os Estados Unidos incluirão o país governado por Hugo Chávez na lista de nações que patrocinam o terrorismo.
"Estamos preocupados com a segurança regional", disse como resposta.
Rice afirmou que os EUA têm uma "grande satisfação" por apoiar com firmeza "um presidente democrático", o colombiano Álvaro Uribe, que se dedicou a "restabelecer a lei e a ordem".
Neste sentido, elogiou os "esforços" de outros países, entre os quais citou o Brasil, para "libertar a região daqueles que matam".
Segundo a chefe da diplomacia americana, a Casa Branca "se comprometeu a trabalhar, e trabalha muito seriamente", com aqueles países latino-americanos "comprometidos com a democracia, a paz e o desenvolvimento".
Entre eles mencionou Brasil e Chile, sua próxima escala nesta viagem pela América do Sul.
A secretária de Estado americana acrescentou que o Governo do presidente dos EUA, George W. Bush, não estabelece suas relações de acordo com "tinturas ideológicas", mas em função de "compromissos em torno de valores comuns".
Rice e Amorim explicaram que, entre outros assuntos, analisaram a situação no Oriente Médio, a reforma da ONU e a estagnação das negociações da Rodada de Desenvolvimento de Doha, no marco da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Sobre esse último ponto, a secretária de Estado considerou que devem ser feitos todos os esforços para concluir as negociações, pois "é o melhor que se pode fazer pelos países em desenvolvimento".
No plano bilateral, os chanceleres discutiram a cooperação entre Brasil e Estados Unidos na produção e promoção dos biocombustíveis e assuntos relacionados ao comércio entre ambos os países.
Durante as seis horas em que permaneceu em Brasília, Rice também se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a recebeu no Palácio do Planalto.
Em Brasília, Rice foi recebida por poucos protestos, promovidos pela União Nacional dos Estudantes (UNE), contra a Guerra do Iraque e manifestações de ecologistas que exigiram um maior compromisso da Casa Branca na defesa do planeta.
Terminadas suas atividades em Brasília, Condoleezza Rice viajou para Salvador, onde conhecerá alguns projetos sociais dirigidos à população negra de baixa renda.
De Salvador, ela irá ao Chile, segunda e última escala de sua breve viagem pela América do Sul. EFE ed/db