13/03 - 09:42 - Reuters
BELGRADO - O presidente da Sérvia, Boris Tadic, dissolveu o Parlamento na quinta-feira e convocou eleições gerais para 11 de maio. Essa votação está sendo considerada a mais importante da Sérvia desde a queda de Slobodan Milosevic, em 2000.
Há 10 meses no poder, o governo entrou em colapso no fim de semana, quando o primeiro-ministro nacionalista Vijslav Kostunica apontou a falta de articulação na sua coalizão com os liberais pró-Ocidente, na discussão sobre se é melhor brigar por Kosovo ou por um lugar na União Européia. '
A eleição é uma maneira democrática dos cidadãos dizerem como a Sérvia deve se desenvolver nos próximos anos', disse Tadic, em comunicado. Ele também é o chefe do Partido Democrático, que é pró-Ocidente.
Ele pediu uma 'campanha justa em uma atmosfera pacífica e democrática, para que a Sérvia obtenha instituições estáveis que funcionem de forma efetiva'.
As eleições serão uma disputa acirrada entre os Democratas de Tadic e os Radicais nacionalistas, o partido mais forte da Sérvia, que deve se beneficiar com a irritação gerada pela independência de Kosovo, obtida no mês passado.
Analistas prevêem demorados debates em torno de uma eventual coalizão, que podem atrasar reformas e abalar a confiança dos investidores, já desconfiados depois que Belgrado retirou seus embaixadores dos Estados que reconheceram a independência da antiga província da Sérvia e de violentos protestos foram feitos em embaixadas e empresas estrangeiras.
A Standard & Poor's reviu negativamente suas perspectivas para a Sérvia nesta semana, ao notar o impacto que um governo anti-União Européia teria nas reformas e políticas macroeconômicas.
Os políticos liberais da Sérvia têm dado um caráter plebiscitário à votação. Para eles, os sérvios decidirão se querem ou não tentar se juntar à União Européia mesmo que o bloco tenha apoiado a independência de Kosovo.
'Em 11 de maio, determinaremos qual o caminho a Sérvia vai seguir', disse o vice-primeiro ministro Bozidar Djelic, dos Democratas, na quarta-feira. 'Precisamos de um novo entusiasmo e de um caminho bem determinad em direção à União Européia.'
Espera-se que os Radicais centrem sua campanha na questão de Kosovo, nos benefícios de uma relação próxima aos poderes não-Ocidentais, como a Rússia, e no fracasso de oito anos de governo pró-Ocidente em cumprir suas promessas de uma vida melhor.
O secretário-geral do partido, Aleksandar Vicic, disse que, embora a questão da Europa seja importante, ela esconde outros pontos cruciais, como 'como resolver os problemas do nosso cotidiano'.
'Queremos que a Sérvia faça parte da UE tendo Kosovo como sua província', disse Vucic à emisora independente B92. 'Mas nós também queremos que as pessoas vivam melhor e tenham alguém responsável por seus problemas cotidianos.'
(Reportagem de Ellie Tzorzi)
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