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Água de mais de 41 milhões de americanos contém remédios, aponta pesquisa

10/03 - 21:21 - Redação com agências

Uma grande variedade de remédios – incluindo antibióticos, anticonvulsivos, antidepressivos e hormônios sexuais - foi detectada no fornecimento de água de pelo menos 41 milhões de norte-americanos, indica pesquisa da Associated Press.

As concentrações desses remédios são mínimas, medidas em quantidades de partes por milhão, e estão muito abaixo dos níveis de uma dose médica. Além disso, as empresas responsáveis pelo fornecimento afirmam que a água não é perigosa.

Mas a presença de tantos medicamentos de venda sob prescrição – e outros de venda livre como ibuprofen e acetaminofen – na água potável está aumentando as preocupações de pesquisadores sobre as conseqüências a longo prazo para a saúde humana.

Durante uma pesquisa de cinco meses, a AP descobriu que remédios haviam sido identificados na água potável de 24 importantes áreas metropolitanas, desde o sul da Califórnia, Detroit, Kentucky até Nova Jersey.

Os fornecedores de água raramente dão os resultados de suas análises, a menos que sejam pressionados. Por exemplo, o chefe de um grupo que representa os abastecedores importantes das Califórnia disse que o público “não sabe como interpretar a informação” e pode se alarmar sem motivo.

Como os remédios chegam na água?

Ao tomarem comprimidos, os corpos das pessoas absorvem parte do medicamento, mas o restoindo para a água do esgoto. Parte dessa água recebe tratamento e é enviada para os consumidores. Mas a maioria desses tratamentos não elimina os resíduos de remédios.

“Reconhecemos que há um temos recente e que levamos o assunto muito a sério”, disse Benjamin H. Grumbles, administrador adjunto de água na Agência de Proteção Ambiental (EPA, sigla em inglês) dos EUA.

Funcionários da Filadélfia afirmaram que foram encontrados 56 remédios em águas potáveis tratadas, entere eles analgésicos, antibióticos e medicamentos para o tratamento de colesterol, asma, epilepsia, problemas mentais e doenças cardíacas.

No sul da Califórnia, 18,5 milhões de pessoas recebem água potável com anticonvulsivos e ansiolíticos. Investigadores do Serviço Geológico que analisaram uma rede de tratamento de água para 850 mil pessoas ao norte de Nova Jersey encontraram remédios para doenças coronárias e carbamezapina, um anticonvulsivo. Em San Francisco, foi descoberto hormônios sexuais e em Washington outros seis diversos medicamentos.

Impacto sobre a saúde

Apesar dos investigadores não entenderem os riscos exatos de décadas de exposição constante a combinações arbitrárias de doses baixas de remédios, estudos recentes têm encontrados efeitos alarmantes em células humanas, na fauna e na flora.

O governo norte-americano não exige teste em laboratório e não impõe limites seguros à presença de produtos farmacêuticos na água. Dos 62 grandes fornecedores consultados pela AP, apenas 28 trabalhavam com água potável submetida a testes laboratoriais para detectar esse tipo de substância.

Pesquisas em laboratório mostraram que pequenas quantidades de medicamentos afetaram células embrionárias de rins humanos, células sanguíneas humanas e células de câncer de mama humano. As células cancerosas proliferaram rápido demais, as renais cresceram muito devagar e as sanguíneas mostraram atividade biológica associada à inflamação. Outros estudos mostram impactos na natureza. Peixes machos estão criando proteínas de gema de ovo, um processo normalmente restrito às fêmeas.

(*Com informações da Associated Press e Agência Estado)

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