Piedad Viñas Madri, 8 mar (EFE).- O Partido Socialista (PSOE), liderado pelo atual presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, chega às eleições deste domingo com o propósito de permanecer por mais quatro anos no poder e de obter maioria mais "folgada" no Parlamento para consolidar projetos sociais já empreendidos.
Com o lema "Vote com todas as suas forças", o PSOE conta com uma vantagem cada vez menor na preferência do eleitorado, segundo as últimas pesquisas, e com um claro objetivo: o de mobilizar o maior número possível de espanhóis para que compareçam às urnas.
Daí vem a importância do lema da campanha, apresentado por José Blanco, "número dois" da legenda, em um ato no qual alertou que o principal partido da oposição, o conservador Partido Popular (PP), "quer recuperar o poder graças à abstenção".
Empenhados em promover um comparecimento em massa às urnas, Zapatero e outros líderes do PSOE seguem envolvidos em uma desgastante disputa eleitoral, com o objetivo de apresentar promessas e propostas concretas, sobretudo na área social.
Plantar 45 milhões de árvores de espécies autóctones, aprovar um projeto que regule a situação dos estagiários nas empresas, criar um registro nacional para pessoas que cometem atos de violência doméstica e implantar um escritório de defesa para cidadãos espanhóis no exterior são alguns dos compromissos assumidos.
Os projetos mais controvertidos, no entanto, são os de caráter sócio-econômico, como os que envolvem a criação de dois milhões de empregos, a devolução de 400 euros para contribuintes, o aumento das pensões, a ampliação para quatro semanas da licença-paternidade, facilidades para pagamento de hipotecas entre famílias carentes e a implantação da presença de um educador infantil nas empresas.
Essas iniciativas foram classificadas pela oposição como "eleitoreiras", apesar de inúmeros partidos que não compõem o Governo terem apresentado contrapartidas similares, como se o pleito se tratasse de uma competição para ver "quem dá mais".
Os socialistas argumentam que todas as suas propostas fazem parte de "um projeto que está em pleno desenvolvimento, um projeto ambicioso para a Espanha e que necessita de mais quatro anos", segundo disse o próprio presidente do Governo em seu primeiro debate na TV contra Mariano Rajoy, seu principal adversário e líder do PP.
Zapatero pede votos para complementar os projetos apresentados por seu partido durante a campanha, reforçar avanços sociais registrados nos últimos quatro anos e afugentar medos que, segundo ele, a oposição pretende propagar em torno de uma suposta grave crise econômica para o futuro e de um eventual risco de ruptura da unidade espanhola frente a contínuos embates de forças nacionalistas.
Contra o "apocalipse" do PP, de acordo com definição do próprio chefe do Executivo, os socialistas falam de um processo de desaceleração econômica mundial que a economia espanhola está em condições de enfrentar e asseguram que a Espanha está agora mais unida que com Governos anteriores.
Em matéria de terrorismo, a gestão de Zapatero foi muito questionada, sobretudo pela frustrada tentativa de pôr fim, por meio do diálogo, à violência promovida pelo grupo separatista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade).
Isso provocou a saída do PSOE de Rosa Díez, uma veterana dirigente socialista. Díez criou um novo partido, o União, Progresso e Democracia (UPD). Embora as pesquisas não dêem à legenda estreante mais de uma cadeira no futuro Parlamento, analistas coincidem em afirmar que esta nova força pode "roubar" votos do PSOE.
Em outro tema sensível, a imigração, os governistas prometem canalizar de forma ordenada os fluxos de imigrantes que chegam à Espanha, aumentar a vigilância com relação a imigrantes em condição irregular no país e ainda favorecer a integração.
A igualdade é outra das palavras-chaves do programa socialista, com uma "lei integral de igualdade de tratamento e contra a discriminação no emprego" com relação a mulheres.
Embora se tratem de promessas e compromissos para o futuro, Zapatero e seus eleitores reforçam que o trabalho realizado ao longo dos últimos quatros anos é suficiente para se dizer que há "motivos para crer", como prega outro dos slogans da atual campanha. EFE pi/fr