07/03 - 14:45, atualizada às 15:55 07/03 - Redação com agências internacionais
SANTO DOMINGO - O presidente colombiano, Álvaro Uribe, assegurou hoje que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) financiaram a campanha eleitoral que levou Rafael Correa à presidência do Equador.
Durante seu discurso na cúpula do Grupo do Rio realizado hoje em Santo Domingo, Uribe leu trechos de várias cartas entre o líder das Farc, Manuel Marulanda, e o "número dois" desta organização, Raúl Reyes, que morreu no dia 1º de março na operação militar da Colômbia em território equatoriano.
Os textos lidos por Uribe, procedentes dos computadores de Reyes recuperadas durante a operação, evidenciam o apoio político e financeiro da guerrilha a Correa em diferentes mensagens nos quais se fala dos resultados do primeiro turno das eleições e da estratégia para a segunda.
Uribe rejeitou o fato de que "o legítimo direito da Colômbia de combater uma organização terrorista desta magnitude se apresente como um massacre contra arcanjos vestidos de pijama, sem que se diga quantos fuzis tinham".
Sobre o dirigente das Farc abatido no Equador, destacou que enfrentava 121 processos judiciais e que tinha 57 expedientes por homicídio terrorista, 26 por terrorismo, 25 por rebelião, quatro por seqüestro e nove por lesões, além de 14 penas.
Reyes, o porta-voz das Farc, "foi o grande obstáculo do acordo humanitário", já que agia por motivações políticas mascaradas após seu apoio a um acordo que permitisse a troca de um grupo de seqüestrados por rebeldes presos.
Acrescentou que não se pode qualificar os membros das Farc "de insurgentes contra uma ditadura, mas de sanguinários contra uma democracia".
Vasta documentação
Uribe chegou à Cúpula do Grupo do Rio, na República Dominicana, munido de uma vasta documentação que provaria a presença das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em territórios colombiano e equatoriano, segundo afirma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal colombiano "El Tiempo".
Segundo o jornal, o principal do país, a documentação incluiria vídeos da guerrilha agindo nos países vizinhos à Colômbia, assim como partes de "discursos belicosos" feitos pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, contra vários países durante seus nove anos de mandato.
O "El Tiempo" ainda especula que Uribe tem um outro "ás por baixo da manga" para "dar o troco" à Nicarágua, o mais novo ator da crise diplomática que se estabeleceu na região.
Segundo o jornal, o líder colombiano deve lembrar aos participantes da cúpula que, há 20 anos, a Nicarágua deflagrou, em Honduras, a "Operação Danto 88" para atacar forças guerrilheiras do movimento Resistencia Nicaragüense, operantes no país vizinho.
Na quinta-feira, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que comandava o país na época da incursão, anunciou o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia.
O anúncio foi feito após um encontro com o presidente do Equador, Rafael Correa, que fez um giro por alguns países latino-americanos, entre eles o Brasil, para explicar sua posição acerca da crise diplomática com a Colômbia.
Mãos sujas de sangue
O presidente do Equador, Rafael Correa, rejeitou hoje com veemência as acusações de seu par colombiano Alvaro Uribe sobre supostos vínculos entre o Equador e a guerrilha das Farc, dizendo num tom dramático: "estas mãos não estão manchadas de sangue".
"Rechaço a insinuação de que meu governo tenha colaborado con as Farc, as mentiras são derrubadas por si sós", disse Correa a Uribe.
"Formemos uma força internacional para que controle a fronteira que a Colômbia não sabe respeitar com suas políticas militaristas", acrescentou, num momento de grande tensão nas sessões da XX Cúpula do Grupo do Rio em Santo Domingo.
"Comprometa-se a não agredir nunca mais um país irmão e acabe com essas falácias", afirmou Correa ao presidente da Colômbia

Colômbia faz fronteira com o Brasil, Equador, Venezuela, Peru e Panamá / Wikipedia
Consenso
A reunião desta sexta-feira será a primeira vez em que os presidentes dos países envolvidos no impasse, Colômbia, Equador e Venezuela, se encontrarão desde que a crise foi deflagrada.
No último sábado, tropas colombianas bombardearam um acampamento de rebeldes das Farc dentro do território equatoriano.
A incursão terminou com a morte de 17 guerrilheiros, entre eles o número 2 das Farc, Raúl Reyes, e deflagrou uma crise diplomática entre Colômbia e Equador.
Chávez declarou seu apoio a Correa e enviou tropas para a fronteira com Colômbia.
A expectativa é de que o encontro entre os três líderes sirva para que eles cheguem a um consenso para pôr fim à crise, que continua mesmo depois da aprovação de uma resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA), que reconheceu a "violação da soberania do território equatoriano".
Correa insiste, no entanto, em uma "condenação internacional" contra a Colômbia. Do contrário, ameaçou "responder ao agressor por seu ultraje".
A cúpula do Grupo do Rio reúne em Santo Domingo, na capital dominicana, representantes de 14 países que formam o grupo. O Brasil estará representado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O presidente Lula está no Rio de Janeiro, onde visita três favelas da cidade para o lançamento do início de obras do Programa para Aceleração do Crescimento (PAC).
(*Com informações da BBC, Efe e AFP)
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