07/03 - 18:21 - Redação com agências internacionais
BOGOTÁ - O líder rebelde colombiano Iván Ríos foi morto nesta semana por seus próprios homens, e não em combate com forças de segurança, conforme o Exército do país informou inicialmente, disse nesta sexta-feira o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos.
As primeiras informaçãos davam conta de que a própria Colômbia matara o terrorista, o que o país desmentiu.
Ríos, um dos sete integrantes do secretariado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), morreu numa zona de montanhas e florestas na divisa entre os Departamentos de Caldas e Antioquia.
O governo oferecia uma recompensa de 2,6 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Rios, cujo nome verdadeiro era José Juvenal Velandia. Ele havia participado da delegação de negociadores da guerrilha nas frustradas negociações ocorridas durante o governo de Andrés Pastrana.
O secretariado das Farc é a máxima instância política e militar da guerrilha marxista, que tem 17 mil integrantes, mas foi obrigada a um recuo estratégico devido às ações do governo de Alvaro Uribe, apoiado pelos Estados Unidos, que qualificam as Farc como terroristas.
Ríos era o mais jovem integrante do secretariado, além de ser considerado um protegido do líder máximo Manuel Marulanda Vélez, o 'Tirofijo'.
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Crise diplomática
A morte dele ocorre num momento em que a Colômbia atravessa uma crise diplomática com os vizinhos Equador e Venezuela, por causa da incursão militar ocorrida no fim de semana.
No último sábado, tropas colombianas bombardearam um acampamento de rebeldes das Farc dentro do território equatoriano.
A incursão terminou com a morte de 17 guerrilheiros, entre eles o número 2 das Farc, Raúl Reyes, e deflagrou uma crise diplomática entre Colômbia e Equador.
Por causa da incursão militar colombiana, o Equador rompeu relações com a Colômbia, medida adotada ontem também pela Nicarágua.
A Venezuela fechou sua embaixada em Bogotá, expulsou o corpo diplomático colombiano de Caracas e militarizou a fronteira com o país vizinho, para evitar uma eventual operação como a ocorrida no território equatoriano.
Correa não podia saber
Uribe reconheceu hoje que não avisou a tempo o dirigente do Equador, Rafael Correa, sobre a operação militar contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, porque se o tivesse feito, a ofensiva teria fracassado.
Em seu discurso na cúpula do Grupo do Rio, realizada em Santo Domingo, Uribe acrescentou que a incursão era "contra um dos mais tenebrosos terroristas da história da humanidade", em alusão ao porta-voz internacional das Farc, "Raúl Reyes", morto na operação militar realizada no sábado passado.
O presidente colombiano reiterou que o ataque ocorreu em território equatoriano, "mas do espaço aéreo colombiano", e negou que os sistemas de detecção aérea equatoriana não puderam localizar as aeronaves.
Uribe explicou que os bombardeios devem ser feitos a uma altura que possa ser captada pelos radares, e assegurou que o Equador possui equipamentos "muito bons", motivo pelo qual considerou importante que a comissão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que tratará do assunto verifique os radares.
Uribe pediu perdão pela ação militar, e reconheceu ter havido uma violação da soberania territorial do Equador.
No entanto, destacou que também representa uma violação da soberania quando, "de outro país, um grupo terrorista dispara contra os cidadãos da nação vizinha", e lembrou que as Farc realizaram 40 ataques contra a Colômbia desde 2004, do Equador.
O governante destacou a quantidade de fuzis encontrados no acampamento das Farc, e qualificou Reyes de "covarde, assassino e obstrutor da paz".

Colômbia faz fronteira com o Brasil, Equador, Venezuela, Peru e Panamá / Wikipedia
(*Com informações das agências Efe, AFP e BBC)
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Colômbia diz que não impõe condições para retomar relações com Equador