07/03 - 17:35, atualizada às 19:30 07/03 - Redação com agências internacionais
O presidente da Venezuela Hugo Chávez apresentou, nesta sexta-feira, na reunião do Grupo do Rio na República Dominicana, provas de vida de seis reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Mais tarde, o ministro de Interior da Venezuela, Ramón Chacín, anunciou que tem provas de vida de dez militares colombianos seqüestrados, não seis.
"Nos chegaram provas de vida de seis novos cidadãos colombianos nas mãos da guerrilha de militares e policiais", disse o presidente durante a reunião.
Por um momento foi mostrado um vídeo com as provas de vida, mas falhas técnicas impediram que todas as imagens fossem apresentadas.
"Presidente (Alvaro) Uribe, permita que eu vá buscar essas pessoas, e permita a um grupo de países (...) trabalhar em uma troca humanitária", disse Chávez, dirigindo-se ao presidente da Colômbia.
Desde agosto de 2007, Chávez realiza gestões e contatos com as Farc, que em janeiro e fevereiro entregaram seis reféns em duas operações na selva colombiana a delegados do governo venezuelano e do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Reiterou o apelo a formar um grupo de países amigos para conseguir uma troca humanitária de 40 reféns políticos em poder das Farc por 500 rebeldes presos.
Chávez disse que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, está disposto a participar, junto com Argentina, Equador, Suíça e Itália, além do secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA).
Chávez disse também que a Organização das Nações Unidas (ONU) "poderia enviar um alto representante, além do Brasil e da Bolívia".
Denúncias de Uribe
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, assegurou hoje que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) financiaram a campanha eleitoral que levou Rafael Correa à presidência do Equador.
Durante seu discurso na cúpula do Grupo do Rio realizado hoje em Santo Domingo, Uribe leu trechos de várias cartas entre o líder das Farc, Manuel Marulanda, e o "número dois" desta organização, Raúl Reyes, que morreu no dia 1º de março na operação militar da Colômbia em território equatoriano.
Os textos lidos por Uribe, procedentes dos computadores de Reyes recuperadas durante a operação, evidenciam o apoio político e financeiro da guerrilha a Correa em diferentes mensagens nos quais se fala dos resultados do primeiro turno das eleições e da estratégia para a segunda.
Uribe rejeitou o fato de que "o legítimo direito da Colômbia de combater uma organização terrorista desta magnitude se apresente como um massacre contra arcanjos vestidos de pijama, sem que se diga quantos fuzis tinham".
Sobre o dirigente das Farc abatido no Equador, destacou que enfrentava 121 processos judiciais e que tinha 57 expedientes por homicídio terrorista, 26 por terrorismo, 25 por rebelião, quatro por seqüestro e nove por lesões, além de 14 penas.
Reyes, o porta-voz das Farc, "foi o grande obstáculo do acordo humanitário", já que agia por motivações políticas mascaradas após seu apoio a um acordo que permitisse a troca de um grupo de seqüestrados por rebeldes presos.
Acrescentou que não se pode qualificar os membros das Farc "de insurgentes contra uma ditadura, mas de sanguinários contra uma democracia".
"Mãos sujas de sangue"
O presidente do Equador, Rafael Correa, rejeitou hoje com veemência as acusações de seu par colombiano Alvaro Uribe sobre supostos vínculos entre o Equador e a guerrilha das Farc, dizendo num tom dramático: "estas mãos não estão manchadas de sangue".
"Rechaço a insinuação de que meu governo tenha colaborado con as Farc, as mentiras são derrubadas por si sós", disse Correa a Uribe.
"Formemos uma força internacional para que controle a fronteira que a Colômbia não sabe respeitar com suas políticas militaristas", acrescentou, num momento de grande tensão nas sessões da XX Cúpula do Grupo do Rio em Santo Domingo.
"Comprometa-se a não agredir nunca mais um país irmão e acabe com essas falácias", afirmou Correa ao presidente da Colômbia

Colômbia faz fronteira com o Brasil, Equador, Venezuela, Peru e Panamá / Wikipedia
Consenso
A reunião desta sexta-feira será a primeira vez em que os presidentes dos países envolvidos no impasse, Colômbia, Equador e Venezuela, se encontrarão desde que a crise foi deflagrada.
No último sábado, tropas colombianas bombardearam um acampamento de rebeldes das Farc dentro do território equatoriano.
A incursão terminou com a morte de 17 guerrilheiros, entre eles o número 2 das Farc, Raúl Reyes, e deflagrou uma crise diplomática entre Colômbia e Equador.
Chávez declarou seu apoio a Correa e enviou tropas para a fronteira com Colômbia.
A expectativa é de que o encontro entre os três líderes sirva para que eles cheguem a um consenso para pôr fim à crise, que continua mesmo depois da aprovação de uma resolução da Organização dos Estados Americanos (OEA), que reconheceu a "violação da soberania do território equatoriano".
Correa insiste, no entanto, em uma "condenação internacional" contra a Colômbia. Do contrário, ameaçou "responder ao agressor por seu ultraje".
A cúpula do Grupo do Rio reúne em Santo Domingo, na capital dominicana, representantes de 14 países que formam o grupo. O Brasil estará representado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
O presidente Lula está no Rio de Janeiro, onde visita três favelas da cidade para o lançamento do início de obras do Programa para Aceleração do Crescimento (PAC).
(*Com informações da BBC, Efe e AFP)
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