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"Uribe está brincando com vida dos seqüestrados", diz filho de Betancourt

06/03 - 12:13 - EFE

Paris, 6 mar (EFE) - Lorenzo Delloye, filho da franco-colombiana Ingrid Betancourt, refém das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) há seis anos, disse hoje em Paris que o chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe, "está brincando com as vidas dos seqüestrados, com a honra da Colômbia e com as vidas de milhares de pessoas". Lorenzo Delloye pediu à comunidade internacional que faça "o presidente Uribe compreender que já não tem mais tempo, que já não se pode brincar mais com os seqüestrados", em relação à recente operação do Exército colombiano que causou a morte do porta-voz das Farc e um dos líderes da guerrilha, "Raúl Reyes". Em um ato pela libertação dos reféns da guerrilha colombiana organizado no centro universitário Sciences Po de Paris, o filho de Betancourt pediu ainda à guerrilha libertar "todos os seqüestrados se querem ter algum reconhecimento" internacional. Ele admitiu que a morte de Reyes pode causar "algum corte na comunicação" na mediação para a libertação dos reféns e explicou que "o número dois das Farc era o único interlocutor (...

) que os negociadores tinham".

O ex-marido de Betancourt e pai de seus filhos, Fabrice Delloye, presente no ato junto a seu filho, ao diretor da Sciences Po, Richard Descoings, e à ministra de Educação Superior francesa, Valérie Pécresse, pediu "calma" entre "os povos irmãos" de Equador, Venezuela e Colômbia.

Fabrice Delloye solicitou que Uribe "dialogue com a guerrilha" e exigiu que esta que liberte "imediatamente e de maneira unilateral os seqüestrados doentes e os seqüestrados civis" para respeitar a Convenção de Genebra.

"É evidente que se as Farc não fazem um gesto humanitário, se não entendem que é o momento-chave para tentar conseguir de novo um estatuto de 'beligerante', vão ficar na lista de (organizações) terroristas", acrescentou.

Ele admitiu que a guerrilha começou a mostrar "uma visão humanitária", pois "soltou seis seqüestrados", mas ressaltou que "devem ir até o final do processo".

No caso de sua ex-mulher, advertiu de que a "situação física de Ingrid" não permite que a situação se alongue.

"Se se comprometerem a não seqüestrar mais civis e a libertar os seqüestrados, e principalmente os doentes", incluindo policiais e militares doentes, terão "a possibilidade de ter um estatuto de 'beligerante'" e serem beneficiados com as regras da Convenção de Genebra, o que, em sua opinião, obrigaria Uribe "a negociar". EFE jaf/db




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