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Polícia colombiana diz que Chávez entregou US$ 300 mihões às Farc

03/03 - 17:00 - Redação com agências internacionais

O diretor da polícia colombiana, general Oscar Naranjo, afirmou nesta segunda-feira que o presidente da Venezuela Hugo Chávez entregou 300 milhões de dólares à guerrilha das Farc, segundo dados encontrados no computador de um chefe rebelde abatido.

 

"Encontramos informação que compromete o governo venezuelano, particularmente através do ministro (do Interior, Ramón) Rodríguez Chacín", destacou Naranjo em entrevista à imprensa na sede da presidência colombiana.

Segundo Naranjo, no computador de Raúl Reyes, número dois das Farc, morto por tropas colombianas sábado em território equatoriano, foi constatado "o financiamento da Venezuela às Farc com 300 milhões de dólares", de acordo com comunicado datado do dia 14 de fevereiro assinado pelo chefe insurgente Iván Márquez e dirigido à cúpula do grupo.

"Uma outra nota recolhida por Raúl Reyes fala de um agradecimento a Chávez por 100 milhões de pesos (cerca de 50 mil dólares no câmbio atual) que naquele momento o presidente Chávez entregou às Farc", diz Naranjo.

O porta-voz da polícia também relata várias comunicações entre Manuel Marulanda, fundador e líder das Farc, e o presidente venezuelano.

"Uma delas diz o seguinte: 'nós sempre estaremos atentos em caso de agressão gringa para defender com nossos modestos conhecimentos a revolução bolivariana da Venezuela'", assinalou Naranjo.

"Esta nota mostra implícita uma aproximação e torna evidente uma aliança em termos armados entre as Farc e o governo da Venezuela. Menciona-se também, de maneira detalhada, o envio de droga para o México", acrescentou.

Compra de urânio

O diretor da polícia colombiana, general Oscar Naranjo, assegurou hoje que a guerrilha das Farc adquiriram 50 kg de urânio, segundo dados encontrados no computador do chefe rebelde morto no sábado, Raúl Reyes.

"O assunto chama a atenção por sua magnitude, pelo que as autoridades colombianas se empenham a esclarecê-lo", disse.

"Mentiras" da Colômbia

O vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizales, disse hoje estar "acostumado às mentiras" do governo colombiano, ao se referir a supostos "acordos" da Venezuela e do Equador com a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). "Já estamos acostumados às mentiras do Governo colombiano. Então para mim não tem importância qualquer coisa que diga", ressaltou Carrizales em entrevista coletiva em Caracas.

As autoridades governamentais colombianas "podem inventar qualquer coisa (que se entenderá como uma tentativa) para tratar de eludir responsabilidades por essa violação ao território equatoriano", acrescentou o vice-presidente venezuelano.

Equador nega relações

O ministro da Defesa equatoriano, Wellington Sandoval, negou hoje que o governo do Equador tenha qualquer relação com as Farc e solicitou a anulação da Comissão Binacional de Fronteira (Combifron) com o país vizinho.

Em entrevista coletiva ao fim da reunião do Conselho de Segurança Nacional (Cosena), Sandoval rejeitou as afirmações do diretor-geral da Polícia colombiana, general Oscar Naranjo, que disse que o governo colombiano tem provas de que autoridades do Executivo equatoriano mantêm "vínculos" com as Farc.

O presidente de Equador, Rafael Correa, alertou nesta segunda-feira que adotará medidas diplomáticas mais duras nas próximas horas, na disputa que mantém com a Colômbia devido à incursão de militares colombianos no país durante uma operação contra a guerrilha Farc. Correa não deu detalhes sobre o alcance das medidas, em meio a uma tensão detonada pelas circunstâncias em que morreu no sábado em território equatoriano o guerrilheiro 'Raúl Reyes', o segundo homem da cúpula das Farc.

Correa determinou que a segurança na fronteira com a Colômbia fosse reforçada, enquanto lançou ações diplomáticas que incluíram a retirada de seu embaixador em Bogotá e a expulsão do representante colombiano em Quito, na pior crise diplomática da história recente entre ambos países

 


Colômbia faz fronteira com o Brasil, Equador, Venezuela, Peru e Panamá / Wikipedia


(*Com informações das agências Reuters, Efe e AFP)

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