03/03 - 19:31, atualizada às 02:22 04/03 - Redação com agências internacionais
O governo do Equador enviou nesta segunda-feira uma carta a Bogotá na qual informa o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia, revelou à AFP uma fonte da chancelaria colombiana.
"Diante de uma sucessão de fatos inamistosos e de acordo com o estabelecido pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas em 1961, o governo do Equador decidiu romper relações diplomáticas com o governo da Colômbia, a partir desta data", informa uma carta de Quito entregue à AFP em Bogotá.
No comunicado, o governo de Quito "rejeita energicamente" a acusação formulada pelo diretor da polícia colombiana, general Oscar Naranjo, sobre vínculos do governo de Rafael Correa com a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Relações estremecidas
As relações entre os dois países ficaram estremecidas depois que Bogotá bombardeou, no sábado, um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, num ataque em que morreram um líder do grupo e outros 16 rebeldes.
Equador e Venezuela, que tem no presidente Hugo Chávez um aliado próximo de Quito, ordenaram um reforço militar nas fronteiras com a Colômbia em reação ao ataque. O venezuelano advertiu que pode ser o início de um enfrentamento bélico na região.
Bogotá disse que não iria responder com a mesma estratégia e decidiu não mandar tropas adicionais à área.

Colômbia faz fronteira com o Brasil, Equador, Venezuela, Peru e Panamá / Wikipedia
Desculpas
A Colômbia pediu desculpas pela incursão militar, mas disse que a operação contra o acampamento dos rebeldes era necessária porque seus soldados estavam sendo alvos a partir do lado equatoriano.
Mas o governo colombiano, aliado dos EUA, disse também ter encontrado no acampamento documentos que vinculam o presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa, aos guerrilheiros. A acusação é negada pelo Equador porque a evidência não foi apresentada a escrutínio público.
'Deus nos livre de uma guerra, mas não vamos permitir que violem nosso território soberano', disse Chávez.
Morte de guerrilheiro
| AFP |
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| Reyes teria sido morto em território do Equador |
Chávez já alertou que incursões em seu país podem 'causar uma guerra' e ameaçou enviar seus caças russos contra a Colômbia caso as tropas do país façam na Venezuela o mesmo tipo de infiltração que houve no Equador.
Tanto Chávez quanto Correa acusaram o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de mentir a respeito do ataque. A Colômbia disse ter agido em 'legítima defesa', sem a intenção de violar a soberania equatoriana.
Mas Correa disse que os aviões colombianos invadiram espaço aéreo equatoriano enquanto os guerrilheiros dormiam, e que helicópteros levaram soldados até dentro do acampamento rebelde.
'Foi um massacre', disse Correa. 'Encontramos até corpos baleados pelas costas. Não permitiremos que isso fique impune.'
As forças venezuelanas entraram em alerta, e Chávez prometeu apoio 'até o final' para o Equador.
Os Estados Unidos, que dão expressiva ajuda a Uribe no combate a guerrilheiros e narcotraficantes, informou estar monitorando os fatos depois da 'reação estranha' de Chávez.
(*Com informações das agências Efe e AFP)
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