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Entenda a crise diplomática entre Colômbia, Equador e Venezuela

03/03 - 12:03 - Redação com agências internacionais

A morte em território equatoriano de "Raúl Reyes", o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), criou uma crise de conseqüências imprevisíveis entre a Colômbia e seus vizinhos Venezuela e Equador.

 

Esta crise começou no último domingo após as críticas feitas ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, por seu colega venezuelano, Hugo Chávez, e pelo equatoriano Rafael Correa, que acusou a Colômbia de ter agredido seu país.

Correa se juntou às críticas habituais de Chávez a Uribe, o que cria o temor de uma crise prolongada que, para a Colômbia, pode representar um desgaste enorme ao ter que atender à frente interna - a insurgência - e à externa - os vizinhos Equador e Venezuela.

Ao comentar a morte de Luis Edgar Devia - nome verdadeiro de Raúl Reyes - a Colômbia afirmou que suas forças foram atacadas, primeiro, a partir do território colombiano e depois do outro lado da fronteira, no Equador.

A Força Aérea colombiana bombardeou o local de onde partiu o ataque, cerca de 1.800 metros no interior do território do Equador, e depois entrou no país vizinho para comprovar a efetividade de sua ofensiva. Ali foi encontrado, em um acampamento das Farc, um grupo de guerrilheiros mortos e, entre eles, Raúl Reyes, cujo corpo foi levado para a Colômbia.

Teve então início uma crise na qual Chávez primeiro disse que Uribe não deveria pensar em fazer o mesmo na Venezuela, pois isto significaria um "motivo de guerra". Entretanto, depois lançou seu ataque mais forte contra Uribe, a quem chamou de "criminoso" e "mafioso", para terminar anunciando o fechamento de sua embaixada na Colômbia e ordenando o posicionamento de dez batalhões na fronteira.

Apesar de a primeira reação de Correa ter sido discreta após receber um telefonema de Uribe no qual este lhe comunicava a operação, posteriormente o presidente equatoriano atacou a Colômbia, retirou seu embaixador em Bogotá, Francisco Suéscum, e expulsou o representante colombiano no Equador, Carlos Holguín.

Além disso, negou que tenham acontecido combates na região e afirmou que o que ocorreu na madrugada de sábado foi um "massacre".

Segundo a nota enviada ao Equador pelo Ministério de Relações Exteriores da Colômbia, Raúl Reyes realizava há muitos anos ações contra a Colômbia "clandestinamente a partir do território equatoriano sem o consentimento deste governo".

A Colômbia apresentou suas "desculpas" pela "ação que se viu obrigada a antecipar na região de fronteira" e afirmou que "nunca teve a pretensão ou a disposição de não respeitar ou enfraquecer a soberania ou a integridade da irmã República do Equador".

A estas desculpas, que não foram aceitas pelo governo equatoriano, se juntaram na Colômbia versões de que existiriam "vínculos" diretos entre Quito e as Farc.

Estas informações, "muito graves", segundo o diretor da Polícia Nacional colombiana, general Oscar Naranjo, estavam em três computadores que pertenciam a Raúl Reyes, o que fez com que as autoridades equatorianas "esclareçam os vínculos das Farc" com o governo de Correa. Naranjo citou um documento encontrado em um dos computadores no qual o guerrilheiro morto fez contato com o ministro de Segurança equatoriano, Gustavo Larrea, que "em nome do presidente Correa" expressou seu "interesse de oficializar as relações com a liderança das Farc".

Porém, além disso, Naranjo afirmou que neste documento enviado por Reyes ao comando das Farc se diz que o Equador "se compromete a substituir" a oficialidade policial e militar "que seja hostil às Farc" nas áreas com presença da guerrilha.

Segundo o comando policial colombiano, neste "relatório preliminar" sobre as informações encontradas nos computadores do líder guerrilheiro "se menciona permanentemente" Chávez, embora nada seja dito de uma relação mais explícita.

Se a crise entre Colômbia e Venezuela já era grave desde novembro, agora Bogotá enfrenta outra com o Equador, país que acusa Uribe de mentir e ao qual exige não apenas desculpas, mas "compromissos" para que não se repitam "estes episódios inaceitáveis".


Colômbia faz fronteira com o Brasil, Equador, Venezuela, Peru e Panamá / Wikipedia

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Com Reuters e EFE





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