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Colômbia vai à ONU e descarta envio de mais tropas

03/03 - 13:30 - Redação com agências internacionais

BOGOTÁ - A Colômbia não vai enviar soldados extras para suas fronteiras com a Venezuela e o Equador, apesar de os países vizinhos terem aumentado a presença militar nas fronteiras depois da operação que matou um líder rebelde das Farc em solo equatoriano, disse o governo nesta segunda-feira.

 

A Colômbia, no entanto, está preocupada em relação a possíveis acordos entre rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Equador e Venezuela, disse em pronunciamento na tevê um porta-voz da Presidência da Colômbia.

O governo da Colômbia informou também que denunciará às Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA) as supostas ligações entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e os Governos do Equador e da Venezuela.

A Colômbia acusou nesta segunda-feira o Equador de "convivência" com as Farc e assinalou que isso explica sua reação irada pela morte em seu território do número dois dessa guerrilha, Raúl Reyes, durante uma operação militar das forças colombianas.

"Esse é o fundo do problema, uma convivência, uma espécie de associação do governo do Equador com a guerrilha para buscar objetivos comuns, o que explica toda essa atitude, esta reação", afirmou o ministro colombiano da Defesa, Juan Manuel Santos, falando à rádio RCN.

Crise entre países

A morte em território equatoriano de "Raúl Reyes", o número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), criou uma crise de conseqüências imprevisíveis entre a Colômbia e seus vizinhos Venezuela e Equador.

A Venezuela e o Equador deslocaram, no último domingo, tropas para a fronteira com a Colômbia em reação a um ataque aéreo das forças colombianas contra guerrilheiros abrigados em território equatoriano. A ação, segundo Caracas, pode desencadear uma guerra na região.

Desculpas

A Colômbia pediu desculpas pela incursão militar, mas disse que a operação contra o acampamento dos rebeldes era necessária porque seus soldados estavam sendo alvos a partir do lado equatoriano.

Mas o governo colombiano, aliado dos EUA, disse também ter encontrado no acampamento documentos que vinculam o presidente esquerdista do Equador, Rafael Correa, aos guerrilheiros. A acusação é negada pelo Equador porque a evidência não foi apresentada a escrutínio público.

'Deus nos livre de uma guerra, mas não vamos permitir que violem nosso território soberano', disse Chávez.

Morte de guerrilheiro

AFP
Reyes teria sido morto em território do Equador
Reyes teria sido morto
em território do Equador
A operação militar de sábado resultou na morte de Raúl Reyes, considerado o número 2 da guerrilha Farc, a maior da Colômbia. O ataque usou aviões de combate e tropas em terra mobilizados contra um acampamento no Equador, em um duro golpe contra o grupo guerrilheiro mais antigo da América Latina.

 

Chávez já alertou que incursões em seu país podem 'causar uma guerra' e ameaçou enviar seus caças russos contra a Colômbia caso as tropas do país façam na Venezuela o mesmo tipo de infiltração que houve no Equador.

Tanto Chávez quanto Correa acusaram o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de mentir a respeito do ataque. A Colômbia disse ter agido em 'legítima defesa', sem a intenção de violar a soberania equatoriana.

Mas Correa disse que os aviões colombianos invadiram espaço aéreo equatoriano enquanto os guerrilheiros dormiam, e que helicópteros levaram soldados até dentro do acampamento rebelde.

'Foi um massacre', disse Correa. 'Encontramos até corpos baleados pelas costas. Não permitiremos que isso fique impune.' As forças venezuelanas entraram em alerta, e Chávez prometeu apoio 'até o final' para o Equador.

Os Estados Unidos, que dão expressiva ajuda a Uribe no combate a guerrilheiros e narcotraficantes, informaram estar monitorando os fatos depois da 'reação estranha' de Chávez.

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